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sábado, 4 de julho de 2026
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Presidente do PT, Cesário Campelo é o entrevistado do programa Segunda Opinião de hoje

Dirigente faz avaliação das manifestações contra os cortes na Educação e Reforma da Previdência, também sobre o governo de Gladson Cameli e fala sobre o processo eleitoral no interior e na capital no ano que vem

O entrevistado desta segunda-feira do programa Segunda Opinião é o presidente regional do Partido dos Trabalhadores (PT), Cesário Campelo Braga. Durante 30 minutos, ele falou sobre alguns dos principais assuntos em destaque nos últimos dias, como as manifestações contra os cortes na Educação e Reforma da Previdência e faz uma avaliação da conjuntura política no Estado e no País neste primeiro semestre de 2019.

O Segunda Opinião será publicado no site do jornal Opinião (www.jornalopniao.net) até o fim da tarde.

Cesário comentou que a esquerda brasileira está fazendo uma avaliação errada sobre os movimentos realizados em todo o País no último dia 15, quando milhões de pessoas saíram ás ruas se posicionando contra os cortes do Governo Federal nos recursos para as universidades e contra a Reforma da Previdência em discussão no Congresso Nacional.

“O 15 de maio, que acho que foi um momento histórico para o Brasil, não pode ser visto pela esquerda como se ela tivesse recobrado a capacidade de mobilização. O campo progressista não recobrou essa capacidade. Eu acredito que o que fez a grande diferença foram os cortes na Educação. Nós tínhamos uma manifestação que já estava marcada para o 15 de maio e estava marcada para o Brasil todo. Estava marcada pelos professores, porque um dos pontos centrais nessa reforma da previdência tem a ver com o tempo de trabalho dos professores e tem a ver, principalmente, com as professoras. Mas essa manifestação não teria a envergadura que ela teve no Brasil se não fossem os cortes na Educação”, considera Cesário.

O dirigente também credita ao próprio presidente Jair Bolsonaro o crédito pela grande presença de manifestantes nas ruas no dia 15 último, já que se manifestou chamando os manifestantes de idiotas.

“Quem estava naquela manifestação não era gente da esquerda, embora tivesse de esquerda também. Mas tinha estudante, pai de família… imagine uma mãe de família está olhando a possibilidade de um filho dela não ingressar mais no ensino superior, dele nem sonhar. Vai pra rua protestar e o Bolsonaro chama ela de idiota.”

Para Cesário, é necessário que haja uma grande discussão a respeito da Educação, já que os cortes podem inviabilizar o ensino nas universidades já a partir do segundo semestre, como é o caso da Universidade Federal do Acre (Ufac), onde a reitora Guida Aquino já manifestou a preocupação de não haver recursos para o reinício das aulas no segundo semestre.

“Fui informado sobre uma reunião do Conselho Universitário para avaliar ser a Ufac vai abrir o segundo semestre. O que está em jogo é isso. A Ufac pode parar e o Ifac não tem condições de funcionar”. Ifac é o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Acre. Esta instituição teve o seu campus de Cruzeiro do Sul atingido por um incêndio no início do mês.

Cesário lembra o componente ideológico nos cortes do Governo Federal e garante que há interesses de grupos econômicos por trás dessas medidas que estão sendo implantadas por Bolsonaro e sua equipe no Ministério da Educação e da Economia. Cita o caso da irmã do ministro Paulo Guedes, que tem ligação com as universidades privadas.

“Ela é vice-presidente nacional da Associação das Universidades Privadas.”

Cesário Campelo falou também sobre as manifestações marcadas para o dia 30 de maio, quando, novamente, haverá protestos contra os cortes na Educação e contra a Reforma da Previdência.

Ele avalia que, nesse dia, haverá um número maior de manifestantes nas ruas. Garante que há muitas instituições envolvidas nas mobilizações. Ao contrário do que ocorreu no dia 15, quando os atos ocorreram em diversos pontos da cidade, dessa vez, segundo o petista, todos serão concentrados no centro de Rio Branco, com início para às 8 horas da manhã.

“A grande discussão agora é fazer com que a sociedade acreana pare para ver o que está acontecendo. Não estamos dizendo que temos razão, a disputa aqui não é a razão. Agora, precisamos que as pessoas parem para olhar: tem alguma coisa acontecendo que não está certa, se não, as pessoas não tinham ido para a rua.”

Outro evento citado por Cesário Campelo é uma greve geral que está sendo convocada para o dia 14 de junho. Ele explica que a ideia é parar o Brasil nesse dia em protesto contra a Reforma da Previdência.

Avaliação sobre o governo de Gladson Cameli

O presidente do PT acreano avalia ser cedo para realizar uma avaliação do governo de Gladson Cameli no Acre. Considera ser uma pena esse governo ainda estar em fase de transição, já que as eleições ocorreram em outubro.

“Ele teve outubro, novembro e dezembro para fazer essa transição. Fizeram uma reforma administrativa que não foi bem-pensada, fizeram uma reforma administrativa nas coxas. Tiveram três meses para pensar a construção do governo, para pensar como ia começar dia primeiro de janeiro, mas quando começaram o governo já viram que teriam que fazer uma nova reforma. Daí, passaram janeiro, fevereiro, março, abril e maio sem ter o governo funcionando bem e, agora, fizeram outra reforma. Nessa reforma, desfizeram tudo que disseram [na campanha eleitoral].”

Cesário considera ser muito difícil avaliar o governo de Gladson Cameli por não ter, objetivamente, o que avaliar.

“Eu espero que, a partir dessa reforma administrativa, o governo possa começar. Não tem nada. Eles não conseguiram funcionar ainda.”

Sobre as declarações do governador afirmando que há um cartel agindo na Saúde do Acre, o petista argumenta que Gladson Cameli tem por obrigação dizer quem age dessa forma, pois estaria botando em suspeição todos os médicos, todos os enfermeiros e demais profissionais que atuam na área.

“Se o Gladson não disser quem é que faz esse cartel, todos os que trabalham da Saúde estão sob suspeita. Isso é grave!”

Avançando em sua avaliação, Cesário critica a opção do atual governo pelo agronegócio. Segundo ele, o Acre não tem perfil para o agronegócio. Ele considera que o governo tem que produzir equilíbrio entre os que têm e os que não têm.

“O governo tem que ajudar o colono, o extrativista e tem que dar condições para que os fazendeiros possam continuar vendendo o gado, a madeira e a castanha.”

 PT se prepara para as eleições de 2020

Cesário Campelo disse que ainda há muito tempo para as eleições de 2020, que o seu partido está analisando a questão com muita calma. Neste momento, ele explica que o objetivo principal é organizar os diretórios municipais. Tanto que, recentemente, fez visita a todos esses mantendo conversas com os dirigentes e com as principais lideranças locais.

“No que se refere ao processo político, nós estamos olhando para o que foi esse processo passado, tivemos encontros e avaliações positivas. Também avaliamos que cometemos um monte de erros mesmo, e a gente tem que pedir desculpas para a população. Avaliamos que também tivemos muitos acertos. Acho que as coisas são assim, a gente erra, a gente acerta. Quando erramos não foi querendo errar, não foi querendo fazer o mal. A gente errou querendo acertar.”

Lembra que o seu partido tem bons prefeitos e que esses estão muito bem-avaliados. Nos locais onde não temos prefeitos, já se começam as discussões para a construção de chapas de vereador e candidaturas majoritárias.

“Nesse processo, eu disse que todo mundo é livre para sonhar, mas não é querer ser prefeito por querer. A gente viu o que é que é muitas pessoas querendo ser prefeito, mas não sabiam como era ser prefeito e terminaram presos, pois fizeram besteira. Nós precisamos ter um projeto para os municípios.”

Disputa em Rio Branco

Assim como no restante do Estado, as eleições municipais do próximo ano estão sendo pensadas pelo Partido dos Trabalhadores com muita calma, segundo Cesário Campelo. Tem sido levado em conta a aliança feita com a prefeita Socorro Neri, que ainda não decidiu se disputará uma reeleição. Contudo, não está descartada a possibilidade do PT apresentar uma candidatura.

“Já tivemos algumas conversas. Conversamos com o Angelim, conversamos com o Jorge Viana. São dois nomes que estão à disposição do PT para a gente pensar como fazer essa construção.”