Lideranças da etnia Huni Kuin realizaram um protesto no Centro de Rio Branco na manhã de quarta-feira, 22. Os indígenas protestavam pela manutenção da demarcação de territórios, pauta que recentemente entrou em rota de colisão com o Governo Federal, e cobraram a execução de políticas públicas por parte do Estado do Acre. Eles também aproveitaram a manifestação para divulgar a Quarta Assembleia-Geral do Povo Huni Kuin, que é realizada na capital até sábado, 25.
Depois de caminharem pelas principais avenidas do Centro, os manifestantes foram até a Assembleia Legislativa do Acre (Aleac) para pedir apoio dos deputados estaduais para que o governo atenda as reivindicações. Presidente da Federação do Povo Huni Kuin do Acre, Ninawa Huni Kuin enfatizou que é necessário discutir a administração junto ao povo Huni Kuin no Acre.“Estamos nos organizando para fazer a execução dessas ações e proteger nosso território”, disse.
Ninawa destacou que as demarcações reparam a devastação e exploração histórica do povo indígena e lembrou que os espaços que eles ocupam atualmente são sagrados. Para ele, o ato revela publicamente a unificação e organização dos Huni Kuin para reivindicar pautas necessárias para eles. De acordo com a liderança, os indígenas do Acre têm um problema grave na execução das políticas públicas, que para ele precisam ser feitas de forma mais participativa e descentralizada.
“Estamos à disposição para conversar com este governo, Assembleia e Poder Judiciário para informar sobre nossa organização. Esse povo que também faz parte desse estado e temos problemas na implementação das políticas públicas, que precisam ser feitas de forma mais participativa, transparente e séria. No mês passado nos reunimos com o governador e ficou definido que um departamento seria criado na estrutura do estado, mas nosso intuito não é esse. Nosso objetivo não é cargo, mas sim uma relação efetiva com o estado”, declarou o presidente.
Ao chegarem na Aleac, os indígenas ocuparam a galeria e o Plenário da Casa. Eles foram saudados pelos parlamentares e participaram da sessão. Pouco depois, uma comissão dos protestantes foi recebida pelos membros da Mesa Diretora da Aleac para eles apresentassem as reivindicações. Vice-presidente da Aleac, Jenilson Leite (PCdoB) destacou que é necessário que o estado dê mais atenção aos indígenas do Acre e que juntamente com outros deputados ele trabalhará pela causa.
“A principal reivindicação é o reconhecimento por parte da união e, principalmente, o estado do Acre dos direitos que eles têm. Atualmente essas garantias estão à margem dos governos federal e estadual. Bolsonaro inclusive tentou retirar a garantia de saúde para indígenas no início deste ano. Já no Acre, há muita incompreensão em relação a importância dos povos indígenas. O governo do estado, por exemplo, ainda não nomeou o secretário especial indígena”, destacou Leite.
De acordo com o parlamentar, é o secretário especial indígena que articula junto a administração pública e os povos indígenas pautas para a melhoria das etnias acreanas. “É a pessoa que faz a articulação com as aldeias, realiza levantamentos de demandas e necessidades desses povos para resolver as problemáticas nas milhares de aldeias e pensar em políticas públicas para esses povos. Hoje temos um governo que não enxerga nenhum dos problemas dos indígenas do Acre”, finalizou o deputado.




?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>