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sábado, 4 de julho de 2026
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Medilhaço: alunos de medicina da UFAC arrancam sorrisos de crianças internadas no Hospital

Um toque, um olhar, um sorriso, que desse sorriso se transforma em outro, mais outro e o corpo se enche de alegria, se enche de cura. É com essa filosofia que os acadêmicos do curso de medicina da Universidade Federal do Acre (Ufac), participam de projeto de extensão chamado “Medilhaço: Médicos Palhaços”.

O intuito é tornar o ambiente hospitalar mais informal, descontraído e acolhedor. A Liga Acadêmica de Palhaçaria e Arteterapia do Acre, por meio do projeto procura integrar os acadêmicos à comunidade, a fim de ampliar a relação médico-paciente, promover ações humanizadas, sensibilizar e trabalhar didática, comunicação, interação social e conscientização sócio-econômico-cultural.

O ambiente hospitalar é visto como lugar de apreensão e preocupação por parte dos pacientes e seus familiares, pois sua estrutura remete à lembrança da doença, o que pode influenciar no tratamento.

A aluna Ana Paula Sanches afirma que, “aqui é um momento prazeroso e de muito conhecimento, além de aliviar a pressão da universidade. É muito gratificante vir aqui, nos dá uma paz de espírito muito boa, pois o exercício é de se colocar nos lugar das crianças e dos pais, tentar entender a sua dor. Esse projeto nos auxilia muito no trato com as pessoas e isso vamos levar para nossas carreiras”, disse.

Alunos dos terceiro ao sétimo período participam do projeto de extensão, como explica Paula Sanches, “geralmente mais para o fim do curso as pessoas saem do projeto para se dedicar aos trabalhos acadêmicos e as pessoas dos primeiros períodos vão entrando, nós abrimos vagas sempre no meio do ano como forma de manter essa rotatividade, ela também é importante”, explica Sanches.

O professor e coordenador do projeto, Cleber Ronald, salienta como o projeto chegou até hoje. “Esse projeto é dos alunos, foram eles que me procuraram para reativar esse trabalho, pois ele estava desativado há uns quatro anos. A iniciativa é trabalhar com arteterapia para minimizar o sofrimento das crianças que estão internadas, ao mesmo tempo em que você possibilita ao estudante de medicina a empatia, se colocar no lugar do outro e entender o sofrimento dos usuários do SUS, que às vezes vem dos altos rios, da zona rural, para ficar internado e não tem nenhuma referência aqui na cidade”, afirmou.

Projeto alegra a criançada

O pequeno Adjames Huni-Kuin, de apenas 3 anos, não entendia muito bem o que estava acontecendo naquela sala.  Com complicações nos rins, causadas por uma bactéria, ele veio da cidade de Marechal Thaumaturgo, distante 557 quilômetros da capital, um dos quatro municípios isolados do Acre, sem acesso por estradas, localizado às margens do alto rio Juruá.

Sua mãe, Silvania Huni-Kuin, explica que, “ele ainda não entende o português, só nossa língua nativa, mas gostou e sorriu para as brincadeiras das meninas”, se referindo as acadêmicas voluntárias de medicina.

Texto e Fotos: Hugo Costa