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sábado, 4 de julho de 2026
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Fieac lança campanha “Reage, Indústria” e cobra revitalização de espaços industriais

A Federação das Indústrias do Acre (Fieac) lançou na terça-feira, 14, a campanha “Reage, Indústria”. A ação compõe as atividades programadas para o Mês da Indústria, que desenvolve atividades até o fim de maio, e cobra a revitalização de espaços como distritos, parques e polos industriais nos 22 municípios acreanos. A ideia é chamar o Estado e Poder Público Municipal para atuar em parceria com a instituição na revitalização dos agrupamentos de empreendimentos.

Presidente da Fieac, José Adriano revelou que a maioria dos espaços industriais estão em abandono completo, cenário que iniciou há dois anos. O quadro provoca a desistência de diversos empresários na instalação de novas indústrias nesses locais e faz com que os empreendedores, que já estavam instalados retirem negócios pela falta de infraestrutura e segurança. Em 2018, segundo os dados da federação, 18 empresas deixaram de fazer investimentos no setor devido a situação.

Das 22 cidades acreanas, Marechal Thaumaturgo, Santa Rosa do Purus, Jordão, Porto Walter, Bujari e Capixaba são as únicas que não possuem parques, polos ou distritos industrias. Entre as que têm os espaços, Rio Branco é a que possui a pior situação. A falta de segurança e precarização da infraestrutura no Distrito Industrial, localizado próximo ao Conjunto Universitário, e Parque Industrial, no 2º Distrito da capital, levou ao sucateamento dos espaços e o fim de investimentos.

Para reverter a situação, uma das ideias propostas pela campanha da Fieac é a instalação de um condomínio das indústrias, espaço mantido pelos empreendimentos alocados a partir da contrapartida do Estado e Município de revitalizarem o local. A intenção é que após a realização de obras pelo Poder Público a iniciativa privada construa o espaço, unindo todos as indústrias, para atrair novos investimentos na cidade e instalação de mais segmentos produtivos nos locais.

“A proposta é para que os empresários passem a ser responsáveis pelo cuidado do Distrito e Parque Industrial, cada um mantendo seu espaço e em conjunto garantir o geral, para que eles não passem pela falta de limpeza, infraestrutura, segurança e iluminação que se encontram atualmente. Outro foco dessa ideia do condomínio é auxiliar os empresários que retiraram os empreendimentos dos espaços e não têm condições de voltar para se reinstalarem”, explicou Adriano.

De acordo com o presidente da Fieac, a instituição vem fazendo essas e outras proposições para recuperar a indústria local ao Estado e Município desde 2017. Ele lembrou que as relações com as duas esferas de gestão estavam instáveis desde aquele ano, o que impossibilitou a concretização dos projetos apresentados. Com a chegada do governo Gladson Cameli (Progressistas) e o discurso de abertura econômica proposto por ele, a instituição retomará o diálogo sobre os temas.

Além do governo e prefeitura, a Fieac também solicitará apoio da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), dos deputados federais e senadores, estes dois últimos com solicitação de parte de verbas das emendas parlamentares, apoio na recuperação dos espaços industriais do Acre. Um dos mais graves problemas detectados pela federação é a instalação de residências e famílias próximo e até mesmo dentro do Distrito e Parque Industrial de Rio Branco.

Adriano afirmou que apenas o Distrito Industrial de Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, está com uma boa infraestrutura. Ele lembrou que em 2018 esteve com o ex-prefeito de Rio Branco Marcus Alexandre (PT), o ex-governador Tião Viana (PT), deputados federais, senadores e Suframa para construir, em parceria com as duas esferas, um laboratório no Parque Industrial para reativar 100% do funcionamento. Porém, todos alegaram falta de recursos para aplicar no projeto.

Além disso, ele garantiu que diversos ofícios e proposições foram feitas pela Fieac para a recuperação dos espaços industriais e retomada do crescimento da indústria local. Entretanto, nenhuma delas foram acolhidas pelas autoridades procuradas pela instituição. De acordo com o gestor da federação, todas as ideias apresentadas ao longo de 2018 serão levadas novamente ao Estado, Município, parlamentares federais e Suframa. Ele enfatizou que o cenário é preocupante.

Questionado se a Fieac fará a revitalização dos distritos, parques e polos industriais caso as propostas que serão feitas não avancem com Estado e Municípios, Adriano foi enfático ao dizer que as indústrias não têm condições de arcar com esse tipo de ação. “Não temos essa atribuição. Caso não prospere, vamos ingressar na Justiça porque temos o direito de ter o retorno da cobrança de impostos que é feita aos empresários. É direito nosso ver isso ser revertido em benefícios diretos”.

O representante da Fieac ressaltou ainda que a construção civil é o setor mais atingido pela situação. Presidente do Sindicato da Indústria de Extração de Areia, Argila e Laterita do Acre (Sindmineral-AC), João Paulo Pereira falou que apesar de o setor não poder ser alocado em espaços com outras indústrias, é necessário que esses espaços sejam recuperados para que a cadeia industrial volte a funcionar. Ele lembrou que o segmento também sofre com iguais problemas.

“Temos um caso que perdura mais de dois anos. Um dos nossos empreendedores tem um investimento na extração de areia, devidamente legalizado e certificado pelos órgãos, no Ramal do Panorama atendendo todos os clientes da parte alta da cidade. E nesse tempo a única ponte existente no ramal caiu, só passa por reparos inadequados e não comporta grandes cargas. Esse empreendedor é proibido de passar nela. Sem escoar, o investimento se perde”, reclamou Pereira.

O presidente do Sindmineral-AC afirmou ainda que diversos ramais de Rio Branco e do Estado estão com a infraestrutura precária, o que os deixou intrafegáveis. “São ramais curtos, de um a quatro quilômetros, que não sofrem intervenção há muito tempo e prejudica os empreendedores. Alguns deles são trafegáveis porque muitos empresários que atuam nesses locais fazem as intervenções por conta própria. Mas essas estradas de terra precisam de atenção do poder público”.

Distrito e Parque Industrial de Rio Branco

Criado em 1975, o Distrito Industrial de Rio Branco completa 50 anos em 2019. Entretanto, ruas esburacadas, falta de iluminação pública, instalação de residências, falta de limpeza e outros problemas vêm prejudicando o funcionamento dos empreendimentos no local. De acordo com a Fieac, cerca de 106 indústrias em pleno funcionamento estão abrigadas no espaço mais antigo do setor na cidade. Caso não passe por reparos, a estrutura deve se acabar em um prazo de 10 anos.

Apesar de ter sido instalado somente em 2002, o Parque Industrial da capital acreana é o maior local de agrupamento de empreendimentos industriais no Estado. No auge do funcionamento, quando 100% do espaço estava ocupado por empresas, o local foi responsável por gerar cerca de 2.200 empregos diretos no setor. Das mais de 100 empresas instaladas no espaço quando criado, apenas 50 estão em funcionamento no parque e muitas correm risco de entrar em processo de falência.