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sábado, 1 de agosto de 2026
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Acre se torna rota da imigração venezuelana

Grupo perambula pelas ruas de Rio Branco

A fome de quem perambula por terras estranhas na esperança de ser acolhido por uma nova pátria

Por Jota Guimarães

No nordeste da Venezuela existe uma cidade chamada Maturim. Considerada a sexta maior metrópole do país, com mais 542 mil habitantes, ela é capital do Estado de Managas, localizada a 416 quilômetros da capital Caracas.

Seguindo o circuito das rodovias sul-americanas é impossível calcular os milhares de quilômetros que separam essa cidade venezuelana de Rio Branco, capital do Acre, no Brasil. O cálculo da medida de distância entre esses dois pontos do globo terrestre se torna mais fácil, e compreensível, se for feito por meio de dias percorrido de lá até aqui.

E foram exatamente 92 dias, o equivalente a três meses, que um grupo de quatro jovens adolescentes, venezuelanos de Maturin, gastou para chegar até aqui. E fizeram esse trajeto pegando carona de caminhoneiros, cortando estradas desertas, caminhando dia e noite até enquanto a situação física suportava.

Lênin Simon Arreaza Ugas (20 anos), Jairo José Junior (21 anos), Alexys Enrique Leal Veliz (mais novo, 18 anos) e Luiz Alfredo Rodrigues Riueiro (mais velho, 24 anos) entraram no Brasil pela cidade de Pacaraima, no Estado de Roraima, seguiram para Manaus, capital do Amazonas, depois para Porto Velho, capital de Rondônia e, na manhã desta quarta-feira, 08, chegaram a Rio Branco.

“Eu ouvir dizer que aqui no Acre era muito bom para se viver, por isso viemos para cá”, disse o líder do grupo, Luiz Alfredo, ao ser perguntado porque eles optaram pela cidade de Rio Branco como destino final.

Os amigos vieram juntos na esperança de que em Rio Branco iriam encontrar oportunidade de trabalho para ajudar as famílias que ficaram lá. “Eu queria fazer qualquer coisa aqui que me rendesse algum dinheiro para mandar para meus pais e irmãos que não aguentaram vim embora também”, declarou Alexys Enrique.

Os outros dois integrantes do grupo também compartilham do mesmo desejo de sobreviver. “Não adiantava mais a gente fica lá. O país está acabado!”, comentou Lênin Simom.

“Nada mais funciona na Venezuela, nem o transporte coletivo para a gente ir à faculdade”, relata Jairo Junior.

Os quatro rapazes que hoje circulam pelas ruas de Rio Branco com as malas de roupas nas costas sem terem para onde ir, até antes da Venezuela mergulhar na profunda crise econômica e política que lhe levou à falência, eram estudantes universitários prestes a se formarem em Engenharia de Produção Animal, Informática, Educação Especial e Administração de Empresas.

Quando eles chegaram à capital do Acre estavam há três dias sem comer. A última refeição tinha sido arroz com farinha doada por uma moradora da rodovia BR-364, entre Porto Velho e Rio Branco.

A primeira alimentação em terras rio-branquenses também não foi lá muito boa: um simples pão francês de 200 gramas para cada um, acompanhado de um corpo de café doado pelos servidores da rádio Difusora Acreana.

Mesmo assim, o agradecimento do líder do grupo foi espontâneo com palavra de alusão a passagens bíblicas em voz trêmula devido ao choro de satisfação que fazia escorregar pelo rosto queimado do Sol. Lagrimas de benções pelo alimento recebido.

“Deus pague vocês por isso que estão fazendo pela gente. Nós estávamos há tanto tempo sem comer que já estávamos para desmaiar de forme”, desabafa Luiz Alfredo.

O percurso feito por Alfredo, Alexys, Jairo, e Lenin até o Acre mostra que o Estadp passou a ser alternativa para a imigração dos venezuelanos pela América do Sul. A exemplo do que aconteceu com os haitianos a partir de 2010, muitos imigrantes “fugitivos” da fome que assola o país de Nicolás Maduro vão está chegando por aqui.

A Cáritas, entidade da igreja católica que acolhe refugiados mundo à fora já disse que não tem condições financeiras, e nem estrutura física, para recebe-los em Rio Branco.

O governo do Estado, através da pessoa do diretor do Departamento de Direitos Humanos, da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, Sângelo Rossano de Souza, também declarou que não dispõem de abrigo para receber imigrantes /ou refugiados.

Lênin Simon, Alexys Enrique, Jairo Junior e Luiz Alfred, estão perambulando pelas ruas da capital acreana sem conhecerem ninguém, sem ter para onde ir, com forme e sem conseguirem se comunicar com as pessoas devido à dificuldade em falar a língua portuguesa.