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domingo, 14 de junho de 2026
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Perigos da automedicação

A famosa frase “de médico e louco todo mundo tem um pouco” sempre é repetida quando nos referimos aos perigos da automedicação. A automedicação significa ingerir medicamentos por conta própria sem uma prescrição médica o que pode gerar consequências graves inclusive o óbito.

Quase TODO mundo possui uma farmácia particular contendo medicamentos isentos de prescrição (MIPS) – dipirona, paracetamol, acido acetilsalicílico são exemplos de alguns deles. E, ainda tem os fitoterápicos como as plantas medicinais que prometem curas milagrosas.

O que você não sabe é que o uso de medicamentos por conta própria pode agravar uma doença, uma vez que podem mascarar determinados sintomas e se o remédio for antibiótico, a atenção deve ser redobrada, pois o uso abusivo destes produtos pode facilitar o aumento da resistência bacteriana, o que compromete a eficácia dos tratamentos.

Bastante recorrente é a combinação inadequada de medicamentos, pois um pode anular o efeito do outro ou pode potencializar o efeito ocorrendo intoxicações, reações adversas, dependência química ou até a morte. Seguem os exemplos publicados pela Revista Superinteressante em 23 de julho de 2018:

Exemplo 1: Digamos que você tome um Tylenol para febre (750mg de paracetamol) e um Resfenol (400mg) para coriza, congestão nasal e outros desconfortos do resfriado. São 1,55 gramas por dose, o que já traz riscos para o fígado, já que o órgão metaboliza melhor até 1 grama de cada vez.

Bom, essa dosagem quatro vezes ao dia dá 6,2 gramas, enquanto o ideal para não sobrecarregar o fígado é de 4 gramas para baixo. Se você ainda por cima mandar aquele remedinho para relaxar a musculatura depois de um dia tenso no trabalho, a conta aumenta.

Um comprimido de Torsilax, o décimo medicamento mais vendido no Brasil em 2015 e o segundo em faturamento, coloca 300mg de paracetamol a mais na sua corrente sanguínea. Se suas noites forem frequentemente banhadas a três doses de álcool, o fígado, vai se sobrecarregar. Tomar paracetamol para curar ressaca, então, é apagar fogo com gasolina.

Em 2011  e 2014 , o Food and Drugs Administration (FDA) alertou os médicos para que deixem de prescrever drogas que contenham mais de 325mg de paracetamol em combinação com outras substâncias. É uma tentativa de desestimular o consumo casado, de mais de um remédio com o mesmo princípio ativo, que pode levar a uma overdose acidental.

Exemplo 2: Dipirona, mucato de isometepteno e cafeína (Neosaldina, Doralgina)

EFEITOS DESEJADOS: A dipirona diminui a dor e a febre, o isometepteno e a cafeína reduzem o calibre dos vasos sanguíneos do cérebro, enfraquecendo a dor.

EFEITOS INDESEJADOS: Não precisa nem exagerar no consumo para se expor a dois efeitos colaterais raros, mas potencialmente fatais da dipirona. Um é a diminuição da quantidade de células do sangue, como glóbulos vermelhos, glóbulos brancos e plaquetas.

Outro, especialmente em asmáticos, é o choque anafilático, reação alérgica grave que pode acontecer mesmo em quem está acostumado a usar a medicação. Esses riscos levaram muitos países a proibir a dipirona, como os EUA e a Austrália.

Outro problema com os remédios contra dor de cabeça é que eles podem diminuir a capacidade do corpo de liberar endorfinas, nossos analgésicos interiores. O uso exagerado cria resistência, quando é preciso uma dose maior para surtir efeito, e mascara outros distúrbios, que se tornam crônicos. Por exemplo, se o incômodo vem de uma sinusite mal curada, o comprimido alivia o sintoma, mas não resolve a causa. A ­inflamação na face vai ficando cada vez mais difícil de tratar. E a dor só piora.

Exemplo 3: Dipirona, citrato de orfenadrina e cafeína (Dorflex)

EFEITOS DESEJADOS: A dipirona e a cafeína reduzem a dor e a orfenadrina inibe os comandos de contração involuntária dos músculos, produzindo relaxamento.

EFEITOS INDESEJADOS: Além dos problemas da dipirona, a superdosagem de orfenadrina é potencialmente tóxica. A ingestão de 2 a 3 gramas dessa substância pode levar à morte. Os efeitos colaterais vão de boca seca e alterações nos batimentos do coração até alucinações, tremor, agitação e, em doses altas, delírio e coma.

Exemplo 4: Ácido acetilsalicílico (Aspirina)

EFEITOS DESEJADOS: A aspirina é três em um. Em baixas dosagens, até 1 grama, funciona contra dor e estágios leves de febre. Acima dessa quantidade, inibe processos inflamatórios, principalmente as artrites.

EFEITOS INDESEJADOS: A overdose costuma acontecer de forma acidental, principalmente com idosos, que usam doses maiores do remédio, e crianças pequenas. Oito comprimidos são suficientes para aumentar o risco de excesso de acidez no sangue e baixa acentuada de glicose, causando choque cardiovascular e insuficiência respiratória — distúrbios que podem levar à morte. Por causar queda nos níveis de açúcar, qualquer dosagem de aspirina pode causar hipoglicemia em diabéticos que tomam medicamentos para controlar a doença.

A aspirina e outros anti-inflamatórios também não devem ser usados antes de procedimentos cirúrgicos, mesmo os mais simples, como arrancar um dente ou uma unha encravada. Quando existe um corte na pele, as plaquetas se juntam e formam tampões para não deixar o sangue escapar. A aspirina inibe essa agregação e deixa a porta aberta para hemorragias.

Usar o remédio junto com outro anti-inflamatório ou álcool também é mau negócio: aumenta as chances de úlcera e sangramentos estomacais e intestinais severos.

No Brasil a automedicação é crescente, conforme pesquisas realizadas pelo Conselho Federal de Farmácia, a população precisa rever seus hábitos quando o assunto é medicamento e saúde. Os farmacêuticos podem e devem contribuir para essa mudança.

(Fontes: http://bvsms.saude.gov.br, https://saude.abril.com.br/medicina/os-perigos-da-automedicacao/ e www.cff.org.br consultas realizadas no dia 04 de maio de 2019)