Uma demonstração de fé e respeito ao próximo. Assim foi a nona Celebração Ecumênica do Lava-pés no sábado, 20, na sede da Federação Espírita do Acre, em Rio Branco. O evento, realizado pelo Instituto Ecumênico do Acre desde 2011, contou com a participação de quase 100 lideranças religiosas indígenas, católicas, evangélicas, terreiros de umbanda, candomblé e centros de daime.
Respeito, reconciliação e fraternidade foi a finalidade do evento que reproduziu o ato de Jesus Cristo, descrito no capítulo 13 do evangelho de João, um dia antes da crucificação. A ideia foi mostrar a todos que além de respeitar as milhares de diferenças entre as religiões ou sociedades, o amor e a humildade devem ser iguais independentemente de cor, raça, status social ou religião.

Manoel Pacífico, secretário geral do Instituto Ecumênico do Acre, explicou que as lideranças religiosas lavam os pés uma das outras. Um pastor pode lavar o pé de uma mãe de santo e depois ela repete o gesto com a mesma pessoa, por exemplo. Segundo ele, o ato sempre inicia após a leitura da passagem bíblica que descreve o ato feito por Cristo aos seus apóstolos e seguidores.
“O lava-pés é feito por pessoas de diferentes credos de uma forma respeitosa e fraterna. O Instituto defende relações inter-religiosas fraternas e de absoluto respeito entre todos os credos, combatendo toda desinformação e atitudes preconceituosas e proselitistas. Esse ato é a demonstração de que é possível, sim, ter amor e respeito entre as diferenças”, destacou Pacífico.
Liderança religiosa indígena e uma dos fundadores do Instituo Ecumênico do Acre, Letícia Yawanawá destacou que o lava-pés demonstra a humildade, amor, respeito, compartilhamento e união entre as pessoas. De acordo com a liderança, essa foi a primeira vez em que ela participou do lava-pés em toda a vida. Letícia afirmou ainda que se sentiu muito bem ao presenciar o ritual.
“Você se sente bem, é um espaço onde é transmitido o amor e o respeito independentemente do que você crê ou faz. Nós indígenas temos uma cultura, costume e espiritualidade bem diferente do comum, mas aqui isso é incluído e respeitado. A gente se une no amor e isso acaba todas a diferenças nos fazendo lembrar que somos irmãos e precisamos estar unidos”, completou Letícia.


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