Por Tião Vitor
As duas frases que dão título a este texto são os chamamentos usados pelo peruano Jorge Navarro para atrair clientes e vender tangerinas, castanha, cajarana, entre outras. Todas que traz de uma pequena chácara localizada na Vila do V, em Porto Acre. Seu estabelecimento comercial está localizado em um dos pontos mais movimentados de Rio Branco, na parada de ônibus da avenida Getúlio Vargas, em frente à loja Mariza.
Não podia ser aquele local mais oportuno, já que é onde grande parte das pessoas que residem na região do Segundo Distrito pegam os coletivos.
Jorge é quase um acreano. Está no Estado há mais de 30 anos. Chegou por aqui com apenas 13 anos. E aqui casou e constituiu família. Com muita luta, adquiriu a terrinha de onde tira o sustenta.
“Lá é pequeno, tem apenas um hectare, mas você precisa ver como é bonito. As pessoas que vão lá dizem que é o paraíso”, orgulha-se Navarro. “Tudo que vendo aqui eu trago de lá, pois eu tenho uma horta grande, tenho tangerina e crio peixe em caixa d’água”, ressalta.

O produtor disse faturar de R$ 70 a R$ 100 por dia. Ele trabalha de segunda a sábado. Tirando por baixo, seu salário mensal chega a R$ 1,6 mil. Não é muito, mas é o que garante o sustento da família, a mulher e três filhos.
Para obter esse valor, no entanto, Jorge pena, e muito. Ele acorda sempre de madrugada, embarca no ônibus para Rio Branco quando os primeiros raios de sol começam a surgir no horizonte. Sua bagagem são três ou quatro caixas de frutas variadas.
Ao chegar na capital, disponibiliza tudo em um carrinho de mão que deixa guardado com um amigo no mercado Elias Mansour. “É puxado, mas se não for assim a gente não sobrevive”.
E é assim que o pequeno produtor Jorge Navarro ganha a vida. Uma labuta diária que lhe rende pouco, mas, como o próprio diz, é honesto. Ele busca um emprego, mas diz ser difícil conseguir porque tem uma pequena deficiência auditiva resultado de mergulhos prolongados em pescarias no rio Purus.
“Eu faço de tudo, mas posso ser motorista, já que sou habilitado para dirigir profissionalmente. Mas o que vier e der para sustentar minha família, eu aceito.”

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