Uma denúncia feita ao Jornal Opinião afirma que a indígena Maria Pedro Kaxinawá, de 44 anos, sofreu uma necrose após passar por um parto cesariana na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco. Segundo a acusação, feita por uma pessoa que pediu para não ser identificada, a mulher não está recebendo assistência médica pela equipe da unidade e receberia alta nesta semana. Entretanto, a administração nega a informação e diz que garante a assistência médica.
Wagner Camelo Bacelar, gerente geral do Sistema Assistencial à Saúde da Mulher e da Criança (SASMC), explica que as complicações foram causadas por uma bactéria após ela receber alta da operação no parto. Entretanto, ele afirma que o problema não está relacionado ao procedimento cirúrgico. “Após o parto ela recebeu alta, mas o bebê teve que ficar internado por causa de complicações de saúde. Esse problema dela não está relacionado a cesárea feita durante o parto”.
Bacelar nega que a indígena receberá alta, já que o caso dela é grave devido a necrose, que atinge a parte externa do abdômen da mulher. De acordo com ele, ela está há cerca de 20 dias internada, contados juntamente com o período de tempo de recuperação do parto, e recebe todos os medicamentos disponíveis para o tratamento da doença. Ela está acometida de celulite necrosante, causada por uma bactéria que consome o tecido externo da pele e avança rapidamente pelo corpo.
Jalles Mesquita, enfermeiro que acompanha o tratamento de Maria, explica que a infecção não está localizada acima da cirurgia da mulher e que as complicações vieram após ela ser liberada da recuperação do parto. Ele afirma que além desse problema, a mulher sofre com infecção urinária e o estado é preocupante. Apesar de apresentar febre alta e muita secreção na região afetada pela bactéria, o quadro clínico apresentou melhora na quinta-feira, 4, e se manteve estável.
“No início do dia um clínico geral analisou a situação dela e foi necessária a troca do esquema de antibióticos administrados nela, agora são medicamentos mais amplos com ação bem superior ao utilizado antes. Apesar de não sofrer risco de vida, ela apresentou uma melhora acentuada. Mesmo assim, não há nenhuma previsão de alta para a paciente porque ela está com uma bactéria perigosa que obriga que o isolamento seja feito para não haver alastramento da doença”, diz o enfermeiro.
Bacelar e Mesquita afirmam que a SASMC já solicitou à Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre), uma vaga de Unidade Intensiva de Tratamento (UTI) para internação de Maria. Porém, o enfermeiro destacou que essa liberação pode demorar até 10 dias para sair devido a ocupação de todas as vagas. “A informação de que ela teria alta é incabível. Esse vai ser um tratamento prolongado e intenso, essa é uma infecção grave com uma bactéria perigosa”, finaliza o enfermeiro.


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