Por Marcelina Freire
Quem nunca ouviu frase acima? Mas, não é de hoje que pesquisas tem desmitificado tal afirmação. No ano passado, um estudo realizado por uma montadora mostrou que 70% dos infrações de trânsito são causadas por homens. A motorista de aplicativo, Yasmim Ohana conta como é a rotina que mulheres que trabalham nessa área.
A universitária relata que foi indicada por uma amiga que já trabalhava com aplicativo. Segundo ela, a nova experiência de início, gerou muita expectativa é também receio por não saber o que viria pela frente.
“A princípio eu fiquei bastante ansiosa, com um pouco de medo até, afinal eu ia ter contato direto com varias pessoas desconhecidas. Mas, a experiência vem me surpreendendo desde então! Já fazem quatro meses que estou trabalhando como motorista de aplicativo”, explica.
Embora seja algo comum encontrar mulheres no exercício da profissão, ainda há quem se assuste ao se deparar com a situação. “ Geralmente as pessoas se surpreendem quando pegam uma motorista mulher, sempre são atenciosos e a pergunta mais frequente é: “você não tem medo? Afinal, as mulheres são mais vulneráveis”, diz Yasmim.
De acordo com a jovem, durante os quatro meses de trabalho ela já realizou 1.040 corridas, neste período a moça diz ter presenciando alguns casos de preconceitos por exercer a profissão.
“Tive que escutar de um passageiro uma vez que “ eu até que dirigia bem pra uma mulher” e que “ mulher não tem que dirigir carro, tem que dirigir fogão e cuidar dos filhos. não sei se pelo fato de ter sido criada em um lar matriarcal esses comentários machistas não me afetam tanto” conta.
Embora, Horana diz não se importar, ela conta um episódio que lhe chamou a atenção. “Minha pior experiência de preconceito pelo fato de ser mulher eu sofri por uma outra mulher. Na ocasião ela havia errado o local dela de partida no aplicativo e quando eu por fim consegui chegar no local onde ela estava tive que escutar coisas como “ você é burra, por isso que tem profissões que mulher não pode exercer porque é burra”. Lamenta.
Bom atendimento fideliza clientela
Por outro lado, elas tem ganhado cada vez mais a preferência do público. A passageira Lúcia Souza, afirma que se sente mais segura quando o condutor é uma mulher.
“Uso muito esse meio de transporte, quando é uma mulher que está dirigindo fico mais tranquila, me sinto mais segura, talvez pelo fato de nós sabermos o que passamos, fico bem mais segura”, destaca.
Yasmim, comenta que é perceptível a sensação de alívio das passageiras. “É engraçado ver que muitas outras mulheres quando entram no meu carro subiram aliviadas e dizem: “ufa, que bom que é uma mulher, me sinto mais à vontade” ou então “ posso sentar na frente com você? Sei lá, me sinto à vontade”, relata.
Apesar dos desafios e surpresas da profissão, a motorista mostra que vem conquistando a confiança e prestígio dos clientes. “Tenho passageiros que só viajam comigo, tanto mulheres quanto homens.. pessoas que deixaram de ser clientes desconhecidos e passaram a ser amigos clientes. Fico feliz!”, finaliza.


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