Rio Branco
18°C
domingo, 5 de julho de 2026
03:47

A Baixada caminha sobre duas rodas

Tião Vitor

A cidade de Rio Branco tem cerca de 320 mil habitantes, de acordo com os dados do Censo do IBGE divulgados em 2011. Desses, cerca de 85 mil pessoas vivem na região da Baixada do Sol. São 18 bairros que abrigam uma economia ativa que, a cada dia, está se convertendo em um importante polo comercial da cidade. Mas, para que tudo isso funcione bem, é preciso que as pessoas se locomovam com relativa facilidade, rapidez e baixo custo. E não há forma melhor do que a bicicleta para garantir essa mobilidade que faz da Baixada uma das com maior quantidade de ciclistas de Rio Branco.

O autônomo Isaias Costa Rodrigues sabe muito bem da importância da bicicleta. Ele trabalha vendendo produtos de beleza, perfumes e outros cosméticos. Precisa visitar vários bairros todos os dias e muitas casas em cada um deles. Sem a bicicleta, sabe que seu trabalho seria bem mais difícil.

“Com a bicicleta é tudo mais fácil. Eu faço o meu trabalho e não gasto nada com combustível”, disse.

Na manhã desta terça-feira, Isaias estava com sua “magrela” em uma das muitas oficinas especializadas localizadas na rua Campo Grande, no bairro João Eduardo. Estava ali para fazer o ajuste e lubrificação da corrente. “O gasto que a gente tem com ela é bem pouco. De vez em quando fura um pneu, a gente tem que trocar uma coroa, uma corrente ou outra pecinha qualquer, mas nada de muito caro”, relatou.

A oficina escolhida pelo Isaias é a SM Bicicletaria, de propriedade de Simey Menezes. Ali, Simey não apenas conserta, mas também vende as bikes, peças, acessórios e equipamentos diversos para quem usa o veículo como forma de locomoção.

Simey lucra consertando e vendendo bicicletas

“Essa é uma região com muita bicicleta mesmo. Todos os dias atendemos dezenas de pessoas que querem consertar ou equipar suas bicicletas”, revelou o empresário.

Simey também confirma que, sem as bicicletas, a vida da população da Baixada seria bem mais difícil. “Aqui nessa região, tem muita gente de baixa renda, que teria dificuldade de pagar ônibus para ir de um lado para outro da cidade. Com as bicicletas, o custo é muito baixo e acessível ao bolso da maioria”.

Mais adiante, já na praça do mercado municipal Luis Galvez, Djane do Vale, proprietária de um dos quiosques de alimentação instalados no local, se diz orgulhosa por escolher a bicicleta como veículo principal desde a adolescência.

Djane anda de bicicleta desde os 12 anos

“Eu comecei a andar de bicicleta aos doze anos. Hoje tenho 36 e não abro mão de andar de bicicleta, pois, acima de tudo, é muito saudável”, disse Djane.

Além dela, os três filhos, uma moça de 16, outra de 12 e um garoto de seis anos, todos adoram bicicleta. “O meu mais novo, se a gente deixar, ele passa o dia inteiro em cima de uma bicicleta”, contou. “Lá em casa, só mesmo o meu marido que não anda de bicicleta. Ele prefere carro ou a moto. Mas já está ficando barrigudo.”