Não bastassem as indesejáveis surpresas que tivemos em 2018 com o sarampo e mais recentemente com a caxumba, eis que o vírus mais letal da história da humanidade ressurge das trevas: o Influenza. No Estado do Amazonas já há mais de 400 casos graves de gripe com mais de 30 mortes confirmadas pelo vírus. Em Rio Branco dezenas de casos foram confirmados e outros tantos suspeitos que nos causam angústia e imensa expectativa. Enquanto avistamos, nem ao longe, as vacinas que podem nos proteger, o melhor caminho é nos aprofundarmos nos conhecimentos sobre a doença para consigamos adotar de imediato as melhores medidas de prevenção e tratamento, evitando a disseminação da doença na nossa comunidade.
A gripe é causada pelo vírus influenza A e B e é caracterizada por início súbito dos sintomas: febre alta, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, coriza, obstrução nasal, dor de garganta, calafrios, diminuição do apetite e fadiga. A maioria dos especialistas acredita que o vírus da gripe seja transmitido principalmente por pequenas gotículas que se espalham quando pessoas com gripe tossem, espirram ou conversam. Essas gotículas podem aterrissar na boca ou no nariz de pessoas próximas. Com menos frequência, uma pessoa pode contrair gripe tocando em uma superfície ou objeto que tenha o vírus da gripe e tocando a própria boca, nariz ou possivelmente os olhos. O portador do vírus da gripe pode já transmitir a doença 1 dia antes do surgimento dos sintomas e continuar transmitindo por até 7 dias após o início dos mesmos
Costuma ser autolimitada e dura poucos dias. Há, no entanto, complicações pulmonares mais comuns incluem pneumonia pelo próprio vírus e a pneumonia bacteriana secundária (principalmente a pneumocócica).
Essas complicações são mais frequentes em populações de risco, entre elas, grávidas, crianças com menos de 5 anos, idosos, portadores de DPOC, cardiopatias, ID ou imunossupressão doença renal crônica e algumas hemoglobinopatias. Por esses motivos esse é o público que tem prioridade na vacinação, além de profissionais de saúde, educação e sistema prisional.
A incidência anual da Influenza em crianças saudáveis varia de 10 a 40%, dependendo da cepa circulante. O número de hospitalizações em crianças com menos de 2 anos de idade varia de 190 – 480 para cada 100.000 habitantes e isso significa que, só em Rio Branco, podemos esperar um número de internações, nessa faixa etária, variando entre 665 e 1680, isso considerando somente esta faixa etária e em decorrência somente da gripe e suas complicações.
As vacinas disponíveis são compostas por vírus inativados e fragmentados e, portanto, não oferecem o risco de infectar o paciente.
O Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde oferece a vacina trivalente que contém dois subtipos da influenza A (H1N1 e H3N2) e um subtipo da B. Em clínicas privadas pode ser encontrada a quadrivalente, que contém, além das 3 anteriormente mencionadas, um outro subtipo da influenza B. A vacina que contempla quatro sorotipos é preferível, sempre que possível, por ampliar a proteção contra mais cepas circulantes. A aplicação deve ser anual.
Em resumo, não há segredos: precauções com higiene das mãos, hidratação adequada e a imunização são as peças-chave para controlarmos a propagação do vírus. Aguardemos a chegada das vacinas!
Dr Guilherme Pulici é médico especialista em Alergia e Imunologia e Pediatria, Vice-Presidente do Sindicato dos Médicos do Acre e Secretário da Federação Médica Brasileira


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