
Por Tião Vitor – A situação da Casa de Acolhimento Souza Araújo se aproxima de um ponto crítico. A coisa por lá só não está pior porque, apesar de não estarem recebendo, boa parte dos fornecedores ainda entrega os produtos em solidariedade aos internos. Eles também confiam na Diocese e esperam que, em breve, a situação vá se normalizar. Mas ocorre que outros não pensam da mesma forma e suspenderam, entre outras coisas, o fornecimento de gazes e outros insumos para curativos.
Esses matérias estão sendo adquiridos através de “vaquinha” que é feita pelos próprios internos com a ajuda dos funcionários da Souza Araújo.
“Eles têm um salário mensal. E é com desse dinheiro que eles tiram um pouco e doam para a compra desse material que falta. Se não fosse por isso, a situação estaria bem pior”, contou a freira Francisca Vieira de Lima, conhecida como irmã Celene. Ela é a atual administradora da Souza Araújo.
Além de gazes, ataduras e outros materiais, falta dinheiro para a manutenção de quase tudo, principalmente uma van e um veículo gol, fundamentais para o transporte dos internos quando são levados para algum exame em outras unidades de saúde, por exemplo. O caso mais grave é o da van do tipo Topic, um veículo adquirido pela Diocese no ano 2013. Seu estado de conservação é lastimável, mas só não está pior devido ao empenho do seu motorista Manoel da Silva Gomes, que já trabalha na Souza Araújo há 24 anos.
“Ela está apresentando um problema na bomba de gasolina. Quando ela pifa, eu tenho que esperar uns cinco minutos até tudo esfriar. Só então que dou na partida para ela pegar novamente. Isso já aconteceu várias vezes quando estou com ela cheia de internos que têm que esperar tudo isso em meio ao sol quente”, revelou Manoel.
De acordo com o profissional, os casos mais graves são resolvidos por um mecânico amigo da instituição, amigo esse que não tem recebido pelo serviço que presta, mas que está sempre à disposição para resolver as panes dos veículos.
“Quando quebra, ele faz umas ‘gambiarras’ que dão certo por algum tempo, mas sempre voltam a quebrar porque já não tem peças para essa van aqui na cidade”, explicou.
Também é grave o caso das lavadoras do Souza Araújo. Essas máquinas são fundamentais para manter a higiene dos internos e dos seus leitos.
“São máquinas velhas que costumam quebrar muito. Mas nós precisamos delas para manter as roupas limpas, assim como os lençóis, toalhas e outros”, disse irmã Celene.
Campo produtivo
Ainda não falta alimento para os 33 internos da Souza Araújo. Ainda! Uma parte da alimentação é produzida ali, já que o local é uma pequena fazenda que cria algumas cabeças de gado, porcos, peixes e cultiva verduras. O restante, como os grãos, legumes e frangos, estão sendo fornecidos por aquelas empresas que citamos acima, as que se solidarizam com a situação daquela casa de acolhida. Mas, para manter tudo isso, é necessário ter uma mão-de-obra que é paga com os recursos do convênio com o Estado.
“Nós temos aqui um vaqueiro e outros seis homens que tomam conta de tudo mais relacionado ao campo produtivo”, essas pessoas precisam sobreviver também. E sem salário isso não é possível”, lamentou administradora.
O corpo de servidores ainda conta com três enfermeiros, dez técnicos em enfermagem, 14 serviços gerais, uma lavadeira, um motorista e uma pessoa que toma conta da farmácia.
Custo mensal é de R$ 170 mil
O valor necessário para a manutenção mensal da Casa de Acolhida Souza Araújo, segundo irmã Celene, não é alto. O custo é de R$ 170 mil, dinheiro que vem, em sua maior parte, de um convênio firmado pela Diocese de Rio Branco com o Governo do Estado. Mas o Governo não honra com sua parte há pelos menos oito meses. A dívida estaria hoje em torno de R$ 2 milhões, já que o convênio, de R$ 250 mil, também prevê o custeio das casas terapêuticas Arco Íris e Estrela da Manhã. A última transferência feita pelo Governo aconteceu em julho de 2018. Desde então, a instituição vem acumulando dívidas atrás de dívida.
A Diocese de Rio Branco tem procurado resolver esse impasse através de reuniões com a Secretaria de Estado de Saúde (Sesacre) e com os assessores diretos do governador Gladson Cameli.
Desses encontros, foi dada a garantia de que os repasses seriam feitos novamente, mas, até esta quarta-feira, nenhum tostão caiu na conta da Diocese.
Doe e ajude a Souza Araújo
Aqueles que desejam ajudar os internos da Souza Araújo, podem fazer a doação de matérias para os curativos que podem ser entregues na sede da Diocese, no Palácio do Bispo, ao lado da catedral Nossa Senhora de Nazaré, no Centro.
Eles estão precisando de:
- – Luva de procedimentos tamanho M;
- – Luva estéril tamanho 7 ou 7½;
- – Atadura larga 15cm;
- – Gaze PCT grande não-estéril;
- – Esparadrapo normal;
- – Pomada neomicina;
- – Pomada sulfadiazina de prata
- – Pomada colagenese (para limpeza de feridas)
- – Pomada lidocaína






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