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domingo, 5 de julho de 2026
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Pautas feministas são discutidas em seminário

O movimento 8M Acre, movimento de mulheres que iniciou na Argentina com o “Ni Una Menos” e tomou mais de 30 países, promoveu nos dias 14 e 15 de março a I semana do pensamento crítico em alusão ao 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

Uma das organizadoras do evento, Alana Manchineri, explicou que a atividade teve o objetivo de potencializar o processo de formação de mulheres protagonistas, em diversas áreas de atuação, dando ênfase às pautas convergentes dos movimentos, refletindo criticamente acerca dos retrocessos que estão ocorrendo em âmbito nacional e estadual nas políticas públicas para as mulheres.

A abertura do evento iniciou com a roda de conversa sobre a reforma da previdência, retrocessos e de que forma ela atinge as trabalhadoras.

A professora aposentada e trabalhadora rural de Xapuri, Raimunda Ferreira Conde, comentou sobre o assunto.

“A questão da reforma da previdência fica difícil para as mulheres e também para os homens. Temos que lutar juntas, estar ombro a ombro, uns com os outros. O que mais me impactou foi a preocupação com o futuro, não só o nosso, como da nossa geração futura. O que vai ser do futuro? Ninguém sabe! Depende muito da gente se organizar”.

O segundo debate teve como pauta os feminismos plurais: a diversidade e a visibilidade do feminismo negro, indígena, trans e camponês.

A coordenadora estadual do movimento das mulheres camponesas (MMC), Geovana do Nascimento, ressaltou os ganhos para as trabalhadoras camponesas no governo Lula (2003-2011) como o direito a terra e a colocá-la no nome da mulher, bem como o acesso ao Pronaf Mulher, financiamento à mulher agricultora integrante de unidade familiar de produção, independentemente do estado civil.

A geógrafa e mestranda na Universidade Federal de Rondônia (Unir), Alessandra Manchineri, trouxe para a discussão a invisibilidade das mulheres indígenas e a dificuldade no acesso aos seus direitos.

Para Leide Aquino, coordenadora do movimento de mulheres trabalhadoras rurais, o resgate da trajetória do movimento no Acre é a importância dos direitos e do acesso à terra, reforçam a relevância das questões específicas das trabalhadoras rurais.

Ruby da Silva, vice-presidente da Associação das Travestis e Transsexuais do Acre (Attrac), destacou os abusos e violações que os transgêneros sofrem por parte da sociedade em geral.

O que ficou evidenciado com a discussão é que as mulheres, diante da dinâmica machista, racista e classista da sociedade capitalista, sofrem múltiplas formas de discriminação. Se vive uma crise sociopolítica que incide de forma direta sobre a democracia.

O fechamento de espaços de participação cidadã (conselhos de direitos), a politização da justiça, a violência de gênero, as altas taxas de feminicídios, o avanço do fundamentalismo e grupos anti-direitos interferem na temática diretos humanos, e tem como resultado a criminalização de ativistas e o assassinato de militantes. Além de barrar o trabalho dos movimentos de mulheres e feministas no Acre.

Sobre o assunto, a socióloga e pesquisadora das temáticas gênero e raça, Jaycelene Brasil, pontuou acerca da necessidade de refletir sobre o histórico do feminismo, considerando suas especificidades, o papel do feminismo negro na luta por direitos e a importância da disputa por espaços de poder para reduzir desigualdades.

“É necessário trabalhar e refletir sobre o empoderamento (coletivo) político, social e econômico das mulheres, no âmbito da política de igualdade de gênero e direitos. Nos solidarizarmos com os diversos movimentos de mulheres, atuar com ações coletivas, fortalecendo os espaços de participação social, lutando pelo direito de existirmos com equidade e dignidade”.

A iniciativa

A realização do seminário foi uma parceria com a Secretaria de Mulheres do PT, a Fundação Perseu Abramo (FPA), Universidade Federal do Acre (Ufac), Associação dos Docentes da Universidade Federal do Acre (Adufac), Movimento de Mulheres Camponesas (MMC), Sindicato das Empregadas Domésticas do Acre (Sindoméstico), Movimento de Mulheres Indígenas, Gabinetes dos Deputados Jonas Lima e Daniel Zen (PT). O evento contou com uma programação extensa e com uma diversidade de temas.