Rio Branco
25°C
quarta-feira, 3 de junho de 2026
20:22

Policial Federal acusado de matar suposta filha se diz abalado e nega envolvimento em morte

 

O policial federal Dheymersonn Cavalcante, acusado pela enfermeira Micilene Souza de ter matado a suposta filha, a pequena Maria Cecília, de apenas dois meses de idade, negou envolvimento e de sua mãe no caso que resultou na morte da bebê. Ele ainda classificou as afirmações da genitora da criança como absurdas e se disse bastante abalado com toda situação.

De acordo com a Polícia Civil, responsável por investigar o caso, a criança morreu por broncoaspiração, insuficiência respiratória e obstrução das vias aéreas, após ingerir duas mamadeiras de leite artificial. Miciline, mãe da vítima, acusa o agente federal e a mãe dele de terem premeditado a morte da garota para evitar o pagamento de pensão alimentícia a criança.

O fato ocorreu no última sexta-feira, 8, depois que a bebê deu entrada no Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (Huerb). Segundo o titular da Delegacia de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Martin Hessel, a criança estava sob responsabilidade do suposto pai e da mãe dele quando ingeriu o leite artificial, se engasgou e o líquido passou para os pulmões.

“Ainda estou sob efeito de medicamento, não estou muito bem, estou mal e ainda estou passando por isso. Foi uma história distorcida, são absurdos”, declarou Cavalcante. Mesmo se pronunciando somente três dias após a tragédia, o policial foi conduzido à DHPP ainda na sexta-feira para prestar esclarecimentos sobre a morte da criança. Após ser ouvido pela Polícia Civil, ele e a suposta avó da pequena foram liberados por não haver provas para prisão em flagrante.

O agente disse que pretende se posicionar sobre o caso quando estiver mais calmo. Ele classificou como barbaridades as informações divulgadas pela imprensa e garantiu que nada do que foi dito pela enfermeira condiz com a verdade. “Entendo que a mãe estava desesperada, eu estava desesperado, minha mãe estava desesperada e tentamos socorrer de todas as maneiras”, garantiu.

Entenda o caso

Mãe da pequena Maria Cecília, a enfermeira Micilene Souza acusa o policial federal de ter premeditado a morte da criança junto com a mãe dele para não pagar pensão alimentícia a criança, que supostamente seria filha dele. Ela e a criança, que moravam na cidade de Marechal Thaumaturgo, estavam em Rio Branco para a realização de um exame de DNA solicitado pelo policial.

Segundo Micilene, ela conheceu Cavalcante quando ele estava em uma missão na cidade de Marechal Thaumaturgo e que eles tiveram um relacionamento de um mês. Ela contou que quando descobriu que estava grávida e ele se negou a registrar ou dar qualquer assistência. “Ele começou a pedir para interromper a gestação, que essa criança não era bem vinda, que não iria assumir nunca”.

A enfermeira afirma ainda que o policial dizia para ela abortar o bebê e que até os seis meses de gestação arcou com as despesas sozinha. “Nesse período, entrei com processo de pensão de alimentos gravídicos [pensão durante a gravidez], foi quando ele ficou bonzinho e a mãe dele entrou em contato comigo dizendo que iriam acompanhar a gestação”, afirma a mãe da criança.

Micilene conta que no dia da morte da criança o policial e a mãe pediram para levar a criança para tirar fotos de família, completando três dias seguidos da rotina. Depois de quase de três horas após a pequena sair, o policial ligou para a enfermeira informando que a menina estava no hospital. De acordo com ela, Cavalcante afirmou que a criança estava bem e pediu que ela fosse até o hospital.

“Só quem perdeu fui eu, tudo isso por causa de R$ 477 reais. Não consigo imaginar o que eles fizeram com a neném, se ele asfixiou ela, ou se deu leite em excesso até ela golfar. Eles estão livres agora. Ele tirou a vida da filha só para não dar pensão. Era tudo premeditado. Eu não queria ter ido e voltei para casa sem minha filha”, declara emocionada a mãe da criança. (Com informações G1/AC)