Por Daniele Akamine(*)
Recentemente, assistimos a um dos marcos mais importantes na linha do tempo da reforma da Previdência no Brasil. Na quarta-feira 20, o presidente Jair Bolsonaro entregou sua proposta sobre o tema ao Congresso, confiante de que a Câmara dos Deputados vai receber bem a esperada medida para o tal ajuste das contas públicas. Mais do que uma questão política, esse acontecimento é visto pelo mercado imobiliário como um movimento fundamental para a retomada da indústria da construção civil no País.
O ânimo das incorporadoras parte do princípio de que a economia gerada pelas novas regras para a aposentadoria afeta diretamente os juros praticados pelos bancos na concessão do crédito para a compra da casa própria. Juros menores abrem a possibilidade de mais gente adquirir um imóvel financiado e, desse modo, reaquecer o setor. Essa tese faz muito sentido.
Considere o fato de que o número de aposentados na população cresce, mas a quantidade de jovens que trabalham no regime CLT – logo, contribuem com o INSS – não dá conta de sustentar essa despesa. Para arcar com as pensões atualmente, o governo precisa buscar recursos fora do sistema previdenciário. O Brasil não pode imprimir mais moeda, sob o risco de fazer a inflação disparar, ou tampouco aumentar impostos (afinal, a reforma tributária não saiu do papel). Resta apenas a saída de tomar mais empréstimos, o que reflete na manutenção ou alta das taxas de juros no País.
Se os juros altos afastam os compradores de imóveis que dependem de um crédito, a redução dessas taxas facilita a aquisição da casa própria. Com a reforma, o governo tomaria menos dinheiro com os bancos, e isso levaria à diminuição da taxa básica para financiar a compra de imóveis da população em geral.
Soma-se isso ao aumento da segurança dos empresários que, por acreditarem que a crise econômica estaria perto do fim, gerariam novos empregos e potenciais consumidores de bens e serviços. A propósito, foi com esse argumento que a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) apresentou, para mais de 200 senadores e deputados federais, um projeto chamado “Construção: 1 Milhão de Empregos Já”. No texto, que trazia diversas propostas para melhorar o ambiente de negócios no Brasil, colocava a reforma da Previdência como prioridade neste segmento.
O ajuste nas contas do governo também foi reforçado pelo presidente do Secovi-SP (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis Comerciais e Residenciais de São Paulo), Basilio Jafet, durante seu pronunciamento sobre as perspectivas do setor imobiliário para 2019. Na ocasião, o banco Itaú apresentou um cálculo para a economia gerada com a aprovação da reforma na ordem de R$ 550 bilhões, em dez anos.
Seguido esse raciocínio, é bem provável que os preços dos imóveis aumentem por conta da maior procura de interessados pela mesma propriedade. Portanto, para aqueles que estão prestes a fechar um bom negócio na aquisição de uma casa, de um terreno ou de um apartamento, a hora é agora. Muito em breve, haverá mais pessoas com dinheiro nas mãos fazendo ofertas pelo imóvel dos seus sonhos.
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(*) Daniele Akamine é advogada, especialista em Economia da Construção Civil e sócia da Akamines Negócios Imobiliários.


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