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segunda-feira, 26 de outubro de 2026
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Ações integradas reduzem focos de queimadas no Acre durante período de estiagem


Com o avanço do período de estiagem, o governo do Acre intensifica as ações de prevenção, monitoramento e combate às queimadas por meio da atuação integrada de órgãos estaduais e federais. As estratégias incluem o fortalecimento das brigadas comunitárias, o monitoramento por inteligência ambiental, a fiscalização em áreas prioritárias e ações de educação ambiental.

Os dados mais recentes apontam redução na ocorrência de queimadas no estado. Entre 1º de janeiro e 25 de outubro de 2026, foram registrados 2.113 focos de queimadas, contra 2.553 no mesmo período de 2025, o que representa queda de aproximadamente 17,2%.

Para ampliar a capacidade de prevenção e resposta aos incêndios florestais, o governo fortaleceu o Programa de Brigadas Comunitárias nas Unidades de Conservação estaduais, coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC). Atualmente, 50 brigadistas comunitários atuam em áreas estratégicas das unidades de conservação estaduais.

Estado registra redução nos focos de queimadas em 2026 e reforça monitoramento, fiscalização e atuação das brigadas comunitárias. Foto: Uêslei Araújo/Sema

Os brigadistas realizaram 102 operações, alcançando 1.018 pessoas em atividades de prevenção e combate aos incêndios florestais. Foram 34 operações de combate direto ao fogo e 68 ações preventivas, além de 37 operações integradas com o Corpo de Bombeiros.

Além da atuação em campo, os brigadistas participam de capacitações para o uso de drones no monitoramento e identificação de áreas atingidas por incêndios. A tecnologia contribui para ampliar a capacidade de resposta, aumentar a segurança das equipes e apoiar a tomada de decisões em campo.

Como parte do fortalecimento das brigadas, o Estado promoveu, em agosto deste ano, o 1º Intercâmbio de Brigadistas Comunitários e Manejo Integrado do Fogo, em parceria com o Earth Innovation Institute (EII). A iniciativa reuniu representantes de instituições do Acre, Tocantins e Peru para a troca de experiências e a discussão de estratégias de prevenção, combate aos incêndios florestais e manejo integrado do fogo.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Leonardo Carvalho, a redução dos focos de calor registrada neste ano é resultado de ações integradas de planejamento, prevenção e combate aos incêndios florestais. “Temos registrado uma redução significativa dos focos de calor em comparação com o mesmo período do ano passado, o que demonstra a importância de fortalecer as ações de monitoramento, fiscalização e combate aos incêndios florestais”, destacou.
O secretário ressaltou ainda que, apesar dos resultados positivos, é necessário manter a atenção nos próximos meses e dar continuidade ao trabalho integrado entre poder público e comunidades para reduzir os incêndios, proteger a biodiversidade e conservar os recursos naturais.

Ações preventivas

O Estado também tem investido em ferramentas de monitoramento para identificar áreas mais vulneráveis aos incêndios. Por meio do Centro Integrado de Inteligência, Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (Cigma), são acompanhados dados sobre focos de calor e condições de risco, ampliando a capacidade de antecipação das ações.

Imagem de satélite disponibilizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Outra ferramenta utilizada é o Índice de Prioridade de Incêndio (IPI), metodologia desenvolvida para definir áreas prioritárias para prevenção e combate aos incêndios florestais. A aplicação do índice permitiu identificar seis municípios prioritários para receber essas ações.

Em 2026, o Corpo de Bombeiros passou a operar o sistema Vigia -AC (Vigilância, Inteligência, Geoinformação, Integração e Alerta do Acre), plataforma que reúne monitoramento por satélite, análise de risco e acompanhamento de áreas desmatadas e queimadas.

Entre 1º e 22 de setembro, o sistema registrou 5.743 ocorrências de fogo no estado. Das 3.661 ocorrências já verificadas por imagens de alta resolução, 3.444 foram confirmadas como fogo real. Menos de 1% dos registros analisados foram descartados como falsos alarmes.

 

Fiscalização e educação ambiental

O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) mantém ações de fiscalização nos municípios com maior incidência de queimadas e desmatamento. As equipes atuam em Rio Branco, Feijó, Tarauacá, Cruzeiro do Sul, Mâncio Lima, Rodrigues Alves e Senador Guiomard, com foco na prevenção, fiscalização e combate às infrações ambientais relacionadas ao uso irregular do fogo.

Paralelamente, o órgão intensifica ações de educação ambiental com as comunidades e o setor produtivo, levando informações sobre os impactos das queimadas, mudanças climáticas e alternativas ao uso do fogo.

“Estamos atuando de forma firme e integrada durante este período de estiagem, com equipes do Imac nos municípios que apresentam maior atenção para as queimadas. Nosso trabalho envolve fiscalização, prevenção e educação ambiental, porque combater o fogo não significa apenas fiscalizar, mas também orientar e conscientizar a população sobre os impactos das queimadas e as alternativas ao uso do fogo. Essa atuação é fortalecida por meio dos nossos parceiros. O Imac, como executor das políticas públicas ambientais, está presente nos municípios para proteger o meio ambiente, apoiar as comunidades e fortalecer as ações de prevenção e combate às queimadas em todo o Acre”, afirma o presidente da autarquia, André Hassem.

Medidas emergenciais e planejamento de longo prazo

Em agosto, o governo do Acre publicou o Decreto nº 11.932/2026, que declarou situação de emergência ambiental em todo o estado por 180 dias, em razão do risco de seca severa e desabastecimento hídrico associados ao fortalecimento do fenômeno El Niño.

Como medida complementar, o Imac suspendeu a emissão de autorizações para queima controlada em todo o território estadual enquanto vigorar o decreto. Casos excepcionais deverão ser avaliados pelo Conselho Estadual de Meio Ambiente e Floresta (Cemaf) e pelo Grupo Operacional de Comando e Controle.

O Estado também avança na elaboração do Plano de Manejo Integrado do Fogo do Acre (PMIFAC). As etapas de diagnóstico, mapeamento territorial e avaliação de riscos já foram concluídas. Atualmente, os trabalhos estão concentrados no planejamento das ações preventivas e operacionais voltadas à prevenção, monitoramento e combate aos incêndios florestais.

Ação integrada de órgãos estaduais e federais. Foto: Uêslei Araújo/Sema

Mesmo diante de um cenário climático que exige atenção ampliada, o Acre mantém a estratégia de prevenção e resposta baseada no monitoramento permanente dos focos de calor, na atuação das brigadas comunitárias, na fiscalização ambiental e na integração entre os órgãos responsáveis pelo enfrentamento às queimadas.

Participam das ações o Imac, a Sema, o Corpo de Bombeiros Militar, a Polícia Militar, por meio do Batalhão de Policiamento Ambiental (BPA), a Secretaria de Agricultura e as secretarias municipais de Meio Ambiente. O governo federal atua por meio do Centro Nacional de Proteção e Prevenção a Incêndios (Prevfogo) e a Força Nacional.

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