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quarta-feira, 7 de outubro de 2026
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Alunos de Economia da UFMT são investigados após mensagens racistas e misóginas em grupos de WhatsApp

Estudantes do curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, são investigados após mensagens, áudios e imagens de conteúdo racista e misógino circularem em grupos de WhatsApp ligados ao curso e à atlética. Os episódios teriam ocorrido nos dias 3 e 4 de outubro.

Segundo informações divulgadas pelo Centro Acadêmico de Ciências Econômicas, uma das mensagens atribuídas a um estudante fazia referência a pessoas negras de forma racista. Em outro episódio, um aluno teria utilizado o termo “carvão” para se referir a um colega.

Mensagens começaram em grupo do curso

Os primeiros episódios teriam ocorrido no grupo “Informes Economia”, utilizado para comunicação entre estudantes. De acordo com a denúncia, um aluno compartilhou uma figurinha considerada racista e outro teria feito uma ofensa de cunho racial contra um colega.

Os dois estudantes foram retirados do grupo. Em seguida, os administradores restringiram o envio de mensagens, deixando apenas os responsáveis pela administração com permissão para publicar conteúdo.

A discussão, então, teria migrado para o grupo “Geral”, ligado à Atlética Monopólio.

Conteúdo racista e misógino teria sido compartilhado

No segundo grupo, os estudantes investigados teriam continuado a compartilhar mensagens, áudios e figurinhas consideradas ofensivas. Entre os materiais mencionados na denúncia está uma imagem que representava uma mulher negra realizando um exame de ultrassom, enquanto o feto aparecia representado como um macaco.

Também foram atribuídas a um dos participantes mensagens de teor misógino e racista. Em determinado momento, segundo a denúncia, um estudante teria afirmado que só demonstrava respeito por sua mãe e sua filha e feito comentários ofensivos contra pessoas negras.

A denúncia também aponta que um dos envolvidos teria afirmado que, caso o grupo “Informes Economia” voltasse a permitir mensagens dos participantes, pretendia continuar enviando conteúdos racistas.

Os denunciantes afirmam ainda que os administradores do grupo ligado à atlética não teriam adotado medidas para interromper imediatamente a circulação das mensagens.

UFMT encaminhou denúncia

A UFMT informou que recebeu a denúncia e a encaminhou na segunda-feira (5), por meio da Ouvidoria, para a unidade responsável pela apuração do caso.

O episódio também foi registrado na plataforma Fala.BR, sistema do governo federal utilizado para o encaminhamento de denúncias e manifestações direcionadas a órgãos públicos.

A universidade informou que o procedimento está sob sigilo e afirmou manter o compromisso institucional com o respeito à diversidade, à dignidade e aos direitos da comunidade acadêmica.

Centro Acadêmico repudia mensagens

Em manifestação sobre o caso, o Centro Acadêmico de Ciências Econômicas afirmou que os episódios não devem ser tratados como simples divergências políticas ou manifestações de opinião.

A entidade defendeu a apuração das responsabilidades pelos conteúdos compartilhados e destacou a necessidade de combater manifestações racistas e misóginas dentro do ambiente universitário.

A Polícia Civil também investiga o caso. Até o momento, as informações divulgadas tratam os estudantes como suspeitos, e a investigação deverá apurar a autoria, o contexto das mensagens e eventual responsabilidade pelas condutas denunciadas.