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‘Você vai perder todo o investimento’: Justus pressionou Vorcaro por aporte na SteelCorp e citou recuperação judicial

Mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, mostram que o empresário Roberto Justus pressionou o banqueiro para concluir a conversão de um aporte feito na SteelCorp em participação societária. Durante as negociações, em setembro de 2025, Justus chegou a mencionar a possibilidade de a empresa recorrer à recuperação judicial caso o valor continuasse registrado como dívida.

“Se essa dívida continuar em meu balanço vou ter que pedir uma RJ e daí você vai perder todo o investimento. Vale a pena?”, escreveu Justus a Vorcaro em 1º de setembro de 2025.

As mensagens, divulgadas pelo Poder360, não apontam ilegalidade na operação nem na eventual utilização da recuperação judicial, instrumento previsto em lei para empresas em dificuldades financeiras. Os diálogos mostram, porém, que Justus demonstrava preocupação com o impacto da demora na conversão do investimento sobre as contas e a situação financeira da SteelCorp.

Impasse começou em 2024

As cobranças entre os empresários começaram meses antes. Em dezembro de 2024, Justus reclamou da dificuldade de conseguir contato com Vorcaro e afirmou que um contrato assinado em agosto ainda não havia resultado na conclusão do investimento.

Já em janeiro de 2025, as mensagens passaram a mencionar também problemas de liquidez da SteelCorp. Justus afirmou que havia assumido uma dívida de curto prazo que precisava ser quitada com urgência e pediu a antecipação dos recursos.

Em abril, o empresário voltou a cobrar a regularização do investimento e mencionou os primeiros R$ 80 milhões recebidos. Segundo Justus, o valor ainda precisava ser formalizado como antecipação para participação societária, e não permanecer registrado como dívida.

“Precisamos regularizar e terminar o aporte”, escreveu o empresário durante as cobranças.

Justus voltou a pressionar em agosto

A dificuldade de comunicação continuou ao longo de 2025. Em 6 de agosto, Justus voltou a cobrar Vorcaro pela capitalização.

“Você sumiu de novo como sempre. Ainda não foi resolvida a capitalização conforme você prometeu na nossa última conversa. Isso me atrapalha demais. Surreal o que estamos passando”, escreveu.

Menos de um mês depois, em 1º de setembro, Justus relacionou diretamente a permanência do valor como dívida à possibilidade de recuperação judicial da SteelCorp.

Vorcaro alegou entraves técnicos e jurídicos

Em resposta, Vorcaro afirmou que os aportes combinados haviam sido realizados, mas que a transformação do investimento em participação societária enfrentava obstáculos.

“Os aportes que acertamos foram cumpridos a duras penas. A conversão é algo que eu também quero e muito, mas existem entraves técnicos e jurídicos que não possibilitaram a conclusão”, afirmou o então controlador do Banco Master.

Vorcaro também disse que tentaria solucionar a questão junto à gestora responsável pela operação.

Negociação passou a envolver recompra de R$ 130 milhões

Depois do impasse, os empresários passaram a discutir uma forma de encerrar o investimento. Em 2 de setembro, Vorcaro sugeriu uma recompra da participação em até 60 parcelas, com utilização de um mecanismo de cash sweep, pelo qual recursos excedentes podem ser direcionados para redução de uma dívida.

Dois dias depois, Justus apresentou uma proposta de R$ 130 milhões, com pagamento previsto ao longo de cinco anos. O modelo incluía pagamentos anuais, antecipações vinculadas a dividendos e uma parcela final de R$ 65 milhões, corrigida pelo IPCA.

Em outra mensagem, Justus mencionou a existência de R$ 143 milhões em notas comerciais e propôs transformar o valor em uma participação de 30% da SteelCorp para, no mesmo ato, recomprar a fatia por R$ 130 milhões.

As mensagens posteriores mostram que as condições continuaram sendo discutidas. Não é possível confirmar apenas pelos diálogos se a recompra foi efetivamente concluída.

Justus relatou situação financeira delicada

Em 11 de setembro, Justus voltou a descrever dificuldades financeiras da SteelCorp. Segundo ele, a empresa estava “incapaz de honrar compromissos financeiros passados ou de obter novos financiamentos”.

O empresário afirmou que o elevado passivo e receitas que ainda não haviam se concretizado deixavam a companhia em situação de “patrimônio negativo”, o que também dificultava a participação em concorrências.

“O problema é sobreviver até lá”, escreveu Justus.

Na mesma conversa, afirmou que precisaria fazer um novo aporte na empresa, mas que não queria nem conseguia aumentar o endividamento. Também mencionou a preparação de um roadshow para buscar novos investidores.

Apesar da situação, Justus disse que pretendia manter o pagamento dos R$ 130 milhões negociados com Vorcaro, mas pediu uma condição específica para a parcela final de R$ 65 milhões.

Vorcaro disse ter investido por confiar em Justus

Vorcaro afirmou que havia entrado no negócio principalmente pela relação pessoal com Justus.

“Entrei nesse negócio tão somente por você”, escreveu o então banqueiro.

Vorcaro também afirmou que aceitava deixar a operação sem receber prêmio adicional e com pagamento em prazo longo, desde que houvesse garantia de recuperação do valor que havia aportado.

Recuperação judicial não foi confirmada

A menção à recuperação judicial ocorreu no contexto das negociações sobre a forma como o aporte seria contabilizado e convertido em participação societária. As mensagens não mostram que a SteelCorp tenha efetivamente apresentado um pedido de recuperação judicial.

Da mesma forma, os diálogos disponíveis não permitem confirmar que a conversão do investimento ou a posterior recompra por R$ 130 milhões tenham sido concluídas.

O caso expõe o impasse mantido durante meses entre Justus e Vorcaro em torno do investimento na SteelCorp e as dificuldades financeiras relatadas pelo empresário durante as negociações.

Com informações NDMais