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quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Crise do FrigoRaça deixa pecuaristas e transportadores à espera de pagamentos em Boca do Acre

A crise envolvendo o FrigoRaça continua gerando apreensão entre pecuaristas, transportadores e outros setores ligados à cadeia produtiva de Boca do Acre. Na manhã desta quinta-feira (24), produtores que aguardam pagamentos pelo gado fornecido estiveram em frente ao frigorífico em busca de informações sobre a situação da empresa e a quitação dos valores pendentes.

Durante a manifestação dos produtores, o representante jurídico do FrigoRaça conversou com os pecuaristas na área externa do frigorífico. Segundo ele, a empresa pretende iniciar, em até 15 dias, as tratativas para organizar e negociar o pagamento dos passivos existentes com fornecedores e transportadores.

O representante também afirmou que o FrigoRaça não entrou com pedido de recuperação judicial e que não haveria intenção de encerrar as atividades em Boca do Acre. Aos produtores, ele pediu que continuem encaminhando o gado para abate, indicando que a empresa pretende manter a operação no município.

Promessa de reorganização ocorre em meio à crise de confiança

A declaração da empresa ocorre enquanto produtores relatam preocupação com pagamentos pendentes e com a continuidade das operações do frigorífico.

Para os pecuaristas que já aguardam valores referentes ao gado entregue, a promessa de que as negociações começarão dentro de 15 dias representa uma expectativa de solução, mas também deixa em aberto como e quando os débitos serão efetivamente quitados.

A situação também afeta outros profissionais ligados diretamente ao funcionamento da cadeia pecuária, entre eles os transportadores responsáveis pelo deslocamento dos animais.

Dívida atribuída ao frigorífico chega a R$ 37 milhões

De acordo com informações divulgadas pela influenciadora Bruna Chiarelli, o passivo atribuído ao frigorífico chegaria a R$ 37 milhões. O valor, entretanto, é uma estimativa divulgada publicamente e não foi apresentado na manifestação como um montante oficialmente auditado ou confirmado pela empresa.

Caso o valor se confirme, o impacto ultrapassa os produtores diretamente envolvidos com o frigorífico. A cadeia da pecuária movimenta diferentes segmentos da economia de Boca do Acre, incluindo transporte, trabalhadores, comércio, serviços e fornecedores.

Os transportadores de gado também relatam dificuldades para receber pelos serviços prestados. Segundo as informações divulgadas, os débitos com esse segmento estariam em aproximadamente R$ 400 mil.

Produtores precisam decidir se continuam fornecendo gado

O pedido para que os pecuaristas continuem enviando animais para abate ocorre justamente quando parte dos fornecedores ainda aguarda pagamentos anteriores.

Com isso, os produtores ficam diante de uma decisão que envolve a continuidade da relação comercial com o frigorífico e o risco de ampliar valores a receber antes que os passivos existentes sejam negociados.

De um lado, a empresa afirma que pretende manter as atividades, não entrou em recuperação judicial e deverá iniciar as tratativas para reorganizar os pagamentos em até 15 dias. Do outro, pecuaristas e transportadores aguardam informações mais concretas sobre quanto será pago, em quais condições e qual será o cronograma de quitação dos valores pendentes.

Enquanto as negociações não avançam, a crise do FrigoRaça permanece como um dos principais pontos de preocupação para a cadeia produtiva de Boca do Acre, especialmente entre aqueles que dependem dos pagamentos do frigorífico para manter suas próprias atividades.