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quinta-feira, 24 de setembro de 2026
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Dólar avança e Bolsa cai com petróleo em alta e juros dos EUA no radar dos investidores

O dólar está em alta nesta quinta-feira (24), com o mercado acompanhando alguns dos movimentos no exterior. Às 12h16, a moeda avançava 0,21%, cotada a R$ 5,190.

O Ibovespa está em queda. No mesmo horário, o índice recuava 0,63%, aos 184.634,36 pontos.

“Voltamos a ter uma combinação que é ruim para ativos de risco: petróleo acima dos US$ 105, juros longos americanos novamente pressionados e fortalecimento do dólar no mundo”, diz Leonardo Mendes, economista e financial advisor da Manchester Investimentos.

Às 12h19, o DXY, índice que mede o desempenho do dólar ante uma cesta de moedas de países desenvolvidos, avançava 0,24%.

O petróleo mantém trajetória de alta da véspera (23). Às 12h23, o Brent avançava 3,97%, cotado a US$ 107. A alta ocorre após a troca de ameaças entre EUA e Irã em seus discursos na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), movimento que foi visto pelo mercado como um maior afastamento de um acordo de paz, estagnado há mais de dois meses.

Sem perspectiva de resolução, permanece a preocupação com um possível bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.

Os investidores também acompanham os rendimentos dos títulos do Tesouro americano. Na quarta, o Treasury de dez anos avançou ao maior patamar desde 2007, chegando a 5,132% na máxima. Às 12h25 desta quinta-feira (24), o rendimento estava em torno de 5,147%. Mais cedo, chegou a máxima de 5,158%, com alta de 0,49%. Já o título de 30 anos atingiu 5,449%, com alta de 0,67%, no maior nível desde 2004.

Mendes diz que o ponto que mais chama atenção no começo do dia é justamente o Treasury de dez anos voltando para a região de 5,15%. “O mercado americano vem reprecificando uma política monetária mais restritiva depois de dados de atividade fortes, e o petróleo mais alto adiciona novamente um componente inflacionário importante”, diz o especialista.

Gustavo Trotta, especialista e sócio da Valor Investimentos, acrescenta que o Fed (Federal Reserve, o banco central americano) endureceu o tom para o mercado. Segundo ele, o mercado já precifica três altas de juros nos próximos meses, o que também afeta o cenário do dia.

O FedWatch, ferramenta do CME Group que acompanha as apostas do mercado para os juros americanos, mostra que 66,4% dos analistas projetavam uma alta de juros na próxima reunião, contra 33,6% que esperavam manutenção na faixa de 3,75% e 4% .

Na agenda do dia, os investidores acompanham o encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder chinês, Xi Jinping.

Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, diz que, além da tentativa de ampliar a trégua entre as duas maiores economias do planeta, Trump já antecipou que a superinteligência em IA estará entre os temas da conversa.

No cenário doméstico, o mercado avalia o novo Relatório de Política Monetária do BC (Banco Central) e a entrevista do presidente da instituição, Gabriel Galípolo, que aconteceu por volta das 11h. Na entrevista, Galípolo disse estar preocupado com a oferta de crédito predatório, caracterizado pela oferta indiscriminada, sem análise da capacidade de pagamento e com altas taxas de juros, e defendeu medidas preventivas e de transparência para evitar o endividamento dos brasileiros.

No relatório, o BC atualizou suas projeções econômicas. A expectativa de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) em 2026 passou de 2,0% para 1,8%, enquanto a projeção para o próximo ano é de 1,4%. A expectativa é que a entrevista dê pistas sobre os próximos passos da Selic.

Também está no radar a nova pesquisa Datafolha, que divulga nesta quinta, a partir das 18h45, uma nova rodada sobre a intenção de voto para presidente e para os governos de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Pernambuco e Distrito Federal.

Em Wall Street, as bolsas sentem os efeitos da alta do petróleo e operam em queda. Às 12h34, o Dow Jones recuava 0,74%, o S&P 500 caía 0,50% e o Nasdaq tinha baixa de 0,78%.

Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, diz que o movimento dá continuidade ao pregão negativo da véspera, quando a alta dos juros dos Treasuries chamou a atenção dos investidores.

“Esse não foi um movimento restrito aos Estados Unidos. Houve uma alta global dos juros de longo prazo. O sell-off dos títulos de 30 anos também foi bastante evidente na Europa e no Japão, onde algumas taxas alcançaram níveis que não eram vistos desde 1996”, diz o especialista.

Segundo Benati, o mercado vem apostando que um novo ciclo de alta de juros nos Estados Unidos poderá ocorrer de forma mais rápida e intensa. Na véspera, dois fatores pressionaram as taxas: o crescimento mais forte e a inflação.

Do lado da atividade, o Flash PMI, índice preliminar que mede o ritmo de expansão ou contração da atividade econômica, mostrou a maior expansão dos últimos 62 meses, indicando resiliência da economia americana. Na inflação, o principal fator foi a alta do petróleo.

O especialista também afirma que os Estados Unidos estudam restringir as exportações de diesel para proteger o mercado doméstico, diante da alta do preço do combustível.

A medida pode afetar o Brasil, que importa cerca de 30% do diesel que consome. Desse volume, aproximadamente 80% vêm dos Estados Unidos.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO