Brasileiros que viajam para a Europa podem, no futuro, ter uma nova alternativa para fazer pagamentos e transferências internacionais. O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu (BCE) iniciaram nesta quinta-feira (24) um estudo de viabilidade para avaliar uma possível conexão entre o Pix e o sistema europeu de pagamentos instantâneos.
A proposta prevê estudar a interligação do Pix com o Target Instant Payment Settlement (TIPS), infraestrutura utilizada pelo Eurosistema para a liquidação de pagamentos instantâneos.
Ainda não existe uma autorização para que brasileiros utilizem o Pix normalmente em estabelecimentos europeus. A iniciativa anunciada agora é uma etapa de análise e precisa passar por avaliações técnicas, operacionais, jurídicas e de negócios antes de qualquer eventual implementação.
O que está sendo estudado
A possível integração busca facilitar pagamentos e transferências entre o Brasil e países que utilizam o euro. A ideia é conectar as infraestruturas de pagamentos instantâneos para permitir que determinadas operações internacionais sejam realizadas de forma mais rápida.
Na prática, caso o projeto seja considerado viável, uma transferência entre os sistemas poderia ocorrer em poucos segundos, com mecanismos para conversão entre as moedas envolvidas.
Segundo a proposta, uma conexão desse tipo poderia reduzir custos, diminuir o tempo de processamento e ampliar o acesso aos pagamentos internacionais.
Pix poderá ser usado para compras na Europa?
Essa é uma das possibilidades que o projeto pretende avaliar, mas ainda não há previsão de quando isso poderia acontecer.
Uma eventual integração poderia permitir que usuários brasileiros realizassem determinados pagamentos em estabelecimentos europeus utilizando a infraestrutura do Pix, enquanto comerciantes e instituições financeiras receberiam os valores por meio do sistema correspondente.
O funcionamento dependeria das regras que seriam definidas para a conexão entre os sistemas, incluindo câmbio, identificação dos usuários, liquidação das operações, responsabilidades das instituições e aspectos regulatórios.
Por isso, o anúncio desta quinta-feira não significa que o Pix já esteja disponível de forma ampla na Europa.
O que é o TIPS
O TIPS é uma infraestrutura de pagamentos instantâneos do Eurosistema. O sistema permite a liquidação de pagamentos em dinheiro de banco central e funciona continuamente, com operações processadas em poucos segundos.
Embora esteja associado principalmente ao euro, o TIPS também passou a operar com outras moedas, como a coroa sueca e a coroa dinamarquesa. O Eurosistema vem trabalhando ainda na expansão das conexões entre diferentes sistemas de pagamentos instantâneos.
Por que a integração pode ser importante
Os pagamentos internacionais ainda podem envolver diferentes intermediários, custos de conversão e prazos de processamento. A conexão direta entre sistemas de pagamentos instantâneos pode reduzir parte dessas etapas.
Para consumidores, isso poderia significar mais rapidez em determinadas transferências e pagamentos feitos entre Brasil e Europa. Para empresas, uma eventual integração também poderia facilitar operações comerciais e movimentações financeiras entre os dois mercados.
O projeto faz parte da evolução do Pix e da busca do Banco Central por conexões com outras infraestruturas de pagamentos instantâneos.
Pix já funciona em alguns locais da Europa?
Existem soluções privadas que permitem o uso do Pix em determinados estabelecimentos ou situações no exterior, inclusive por meio de empresas parceiras e instituições de pagamento. Isso, porém, é diferente da proposta anunciada agora.
O estudo entre o Banco Central brasileiro e o BCE trata de uma possível conexão oficial entre infraestruturas de pagamentos instantâneos.
Quando o Pix poderá ser usado na Europa?
Ainda não há uma data definida.
O primeiro passo será avaliar se a conexão entre o Pix e o TIPS é tecnicamente, operacionalmente, juridicamente e comercialmente viável. Somente depois dessas análises poderão ser definidas as condições para uma eventual implementação.
Assim, por enquanto, o Pix continua sendo o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro e não ganhou uma liberação geral para uso na Europa. O que mudou nesta quinta-feira foi o início de um estudo que pode abrir caminho para pagamentos transfronteiriços mais rápidos entre os dois sistemas.


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