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quarta-feira, 26 de agosto de 2026
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Setor frigorífico alerta para risco de queda na produção e impactos na economia de Boca do Acre

A crescente saída de gado vivo de Boca do Acre para outros estados tem provocado preocupação entre representantes do setor pecuário e da indústria frigorífica do município. O alerta é feito por Geraldo Furtado, que atua em um dos principais frigoríficos da cidade e acompanha a redução na quantidade de animais destinados ao abate local.

Segundo Geraldo, a unidade chegou a registrar uma média superior a 450 cabeças abatidas por dia. Atualmente, porém, o volume teria caído para aproximadamente metade dessa capacidade.

Na avaliação do representante do setor, a redução está relacionada principalmente ao aumento da comercialização de animais vivos para outros estados. Garrotes, vacas e outros bovinos estariam deixando Boca do Acre antes de serem destinados à indústria instalada no próprio município.

Saída de gado preocupa setor frigorífico

Boca do Acre possui o maior rebanho bovino do Amazonas, mas, segundo o representante do setor, parte considerável dessa produção está sendo enviada para fora do município.

O cenário gera preocupação porque a indústria frigorífica depende diretamente da disponibilidade de animais para manter sua produção. Com menos gado destinado ao abate local, a capacidade das empresas pode continuar sendo reduzida.

Para Geraldo, o problema vai além da própria atividade frigorífica. A redução da produção pode atingir uma cadeia econômica formada por trabalhadores, pecuaristas, transportadores, boiadeiros, fornecedores e prestadores de serviços.

Mais de 300 funcionários dependem da atividade

O frigorífico onde Geraldo trabalha possui mais de 300 funcionários. Além dos empregos diretos, a atividade movimenta diversos outros setores e gera renda para famílias que dependem direta ou indiretamente da cadeia produtiva.

Segundo a estimativa apresentada pelo representante, considerando trabalhadores, familiares e demais pessoas envolvidas na cadeia, mais de 1.500 pessoas podem ser impactadas pela atividade do frigorífico.

Por esse motivo, uma eventual redução ainda maior da produção ou uma paralisação das atividades poderia provocar reflexos significativos na economia local.

Representante defende discussão entre governos

Diante da situação, Geraldo Furtado defende a discussão de medidas que envolvam os governos do Amazonas e do Acre, além de representantes do setor pecuário e da indústria.

A intenção seria buscar alternativas para reduzir a saída de animais vivos e, ao mesmo tempo, garantir que uma parcela maior do rebanho produzido em Boca do Acre permaneça no município para abastecer a indústria local.

A preocupação apresentada pelo setor é que o município continue desempenhando um papel importante na criação de gado, mas enfrente dificuldades para manter sua própria estrutura industrial por falta de animais destinados ao abate.

Alerta é sobre o futuro da indústria local

Para o representante do setor frigorífico, o cenário exige atenção antes que a redução da oferta de animais provoque consequências ainda maiores.

Caso a saída de gado vivo continue em ritmo elevado e a reposição dos animais destinados ao abate não acompanhe a necessidade da indústria, os frigoríficos poderão enfrentar dificuldades para operar em sua capacidade habitual.

O alerta, portanto, não se limita ao desempenho de uma empresa. A preocupação envolve a manutenção de empregos, renda e movimentação econômica em Boca do Acre, além do futuro de uma das principais cadeias produtivas do município.

A discussão sobre a permanência de parte do rebanho no mercado local passa, segundo Geraldo, pela necessidade de diálogo entre produtores, indústria e poder público para encontrar soluções que conciliem a atividade pecuária e o fortalecimento da economia do município.