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Lula e Xi falam por telefone e concordam em acelerar tratativa de acordo China-Mercosul, diz Planalto

A necessidade de acelerar o início das tratativas de um acordo entre o Mercosul e a China foi um dos principais assuntos tratados no telefonema que ocorreu neste domingo (26) entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder do regime chinês Xi Jinping.

Segundo relato do Planalto, os líderes concordaram que era necessário acelerar o início da negociação, com “as flexibilidades necessárias”. A publicação da mídia estatal chinesa não tratou do tema.

A conversa durou mais de uma hora e partiu do lado brasileiro.

O telefonema acontece cerca de quatro dias após o início da nova tarifa imposta pelos Estados Unidos ao Brasil, criando uma alíquota adicional de 25% sobre cerca de 3.000 produtos brasileiros. A decisão do governo de Donald Trump foi tomada a partir de uma investigação da Seção 301, feita pelo USTR (Escritório do Representante do Comércio dos EUA), que examina práticas comerciais consideradas injustas.

As informações divulgadas pelo Planalto e pela mídia estatal chinesa não afirmam se o novo tarifaço foi ou não tratado no telefonema. Ao mesmo tempo, Xi declarou que apoia o Brasil “na defesa de sua soberania e independência, na oposição à interferência externa e na contribuição para a manutenção da paz e da estabilidade regional e mundial”.

A fala faz eco ao posicionamento da chancelaria chinesa feito após o estabelecimento das tarifas. Na ocasião, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, declarou que “as guerras tarifárias não têm vencedores e não servem aos interesses de ninguém”.

“A China está pronta para trabalhar com o Brasil e outros países para defender o regime multilateral de comércio, que tem a OMC como pilar central, e para promover a equidade e a justiça internacionais”, disse.

Xi e Lula também trataram do fortalecimento do Brics, com o líder chinês afirmando que a cooperação entre os membros do bloco auxilia a “manter o ímpeto da unidade, alcançar mais resultados e escrever um novo capítulo de solidariedade e autossuficiência para o Sul Global”, segundo Pequim.

Ao enumerar o que faz de 2026 um ano particular para os dois países, Xi citou o 105º aniversário de fundação do Partido Comunista Chinês, o início ciclo de metas de cinco anos que organiza o planejamento econômico do país asiático, e o fato de que o Brasil terá pela frente uma agenda política doméstica decisiva –não nomeou, porém, a eleição presidencial de outubro.

Foi nesse enquadramento que o líder chinês afirmou estar disposto a reforçar a coordenação estratégica com o Brasil tanto no plano bilateral quanto no multilateral, e disse que Pequim dá alto valor à posição e à influência internacionais do país.

A nota do Planalto é mais específica sobre o conteúdo bilateral. Segundo o texto, os dois reiteraram o propósito de ampliar a cooperação em áreas estratégicas e de alta tecnologia, entre elas inteligência artificial, satélites, beneficiamento de minerais críticos e comércio de fertilizantes.

O presidente brasileiro ressaltou que seu governo “segue comprometido com a diversificação de mercados e parceiros comerciais”, diz o documento, no trecho em que o documento aproxima a conversa do impasse com Washington.

Os dois também destacaram os resultados do comércio bilateral, o efeito das jornadas culturais em curso neste ano nos dois países, como o ano cultural Brasil-China, e o acordo de isenção de vistos de curta duração, que segundo o Planalto deve ampliar o fluxo de turistas e as oportunidades de negócio.

Os líderes também discutiram a proliferação de conflitos no mundo e seus efeitos sobre a segurança alimentar e energética global, além das perdas humanas e materiais.

Sobre o Oriente Médio, concordaram que as restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb têm efeitos negativos sobre a economia mundial, e expressaram ainda preocupação com a continuidade da situação humanitária em Gaza.

Quanto à Ucrânia, apontaram o Grupo de Amigos da Paz, iniciativa lançada por Brasil e China, como caminho possível para a retomada das negociações.

Os dois líderes criticaram a incapacidade do Conselho de Segurança das ONU (Organização das Nações Unidas) de responder a essas crises e observaram que o próximo secretário-geral da organização enfrentará um cenário desafiador.

Ao fim, segundo a mídia estatal chinesa, Xi ampliou o quadro. Disse que China e Brasil, como membros importantes do Sul Global, devem se posicionar firmemente do lado certo da história e do lado do progresso da civilização, e ter papel construtivo maior na reforma do sistema de governança global.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

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