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quinta-feira, 16 de julho de 2026
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Equipe de Boca do Acre percorre mais de 350 km para resgatar três crianças em situação de extrema vulnerabilidade

Uma força-tarefa formada pelo Conselho Tutelar de Boca do Acre, pelo Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS) e pela Polícia Militar percorreu mais de 350 quilômetros, além de aproximadamente 50 quilômetros de ramal, para atender uma ocorrência envolvendo suspeita de graves violações de direitos de crianças em uma comunidade de difícil acesso.

A localidade fica situada no município de Sena Madureira (AC), mas pertence à área de jurisdição de Boca do Acre (AM), exigindo uma operação conjunta entre diferentes órgãos da rede de proteção.

Equipes enfrentaram trajeto de difícil acesso

A diligência foi realizada nos dias 14 e 15 de julho e exigiu grande esforço das equipes envolvidas. Durante o deslocamento, os profissionais enfrentaram estradas em condições precárias e, em determinado trecho, precisaram seguir a pé para conseguir chegar até a residência da família.

Segundo os órgãos participantes, o difícil acesso não impediu a realização da ação, considerada essencial para garantir a proteção das crianças.

Graves violações de direitos foram constatadas

No local, os agentes encontraram uma situação de extrema vulnerabilidade social. Conforme o Conselho Tutelar, as crianças viviam sem documentação civil, o que compromete o acesso a diversos serviços públicos e dificulta o exercício de direitos básicos.

Também foram verificadas ausência de acesso à educação, falta de comprovação de acompanhamento regular de saúde e condições precárias de moradia, cenário que motivou a adoção de medidas imediatas de proteção.

Três crianças foram acolhidas institucionalmente

Diante da gravidade da situação e com base nas atribuições previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o Conselho Tutelar determinou a aplicação da medida de acolhimento institucional.

As três crianças foram encaminhadas ao Abrigo Institucional Raimunda Aparecida da Silva, onde permanecem recebendo atendimento especializado enquanto o caso é acompanhado pela rede de proteção.

Caso será acompanhado pela Justiça

O procedimento também foi encaminhado ao Poder Judiciário, que dará continuidade às medidas legais necessárias, incluindo a análise da situação familiar e a definição das providências para assegurar a proteção integral das crianças.

A operação contou ainda com o apoio do Conselho Tutelar de Sena Madureira, cuja participação foi considerada fundamental em razão da localização da comunidade e da necessidade de atuação integrada entre os órgãos dos dois municípios.

Desafios da proteção à infância na Amazônia

A ocorrência evidencia as dificuldades enfrentadas pelos órgãos responsáveis pela proteção de crianças e adolescentes na região amazônica, onde grandes distâncias, estradas precárias e comunidades isoladas tornam o atendimento de denúncias mais complexo.

Mesmo diante das limitações logísticas, a atuação conjunta entre Conselho Tutelar, CREAS, Polícia Militar e demais instituições possibilitou a retirada das crianças de uma situação de risco e o encaminhamento para atendimento especializado.

O acolhimento institucional é uma medida prevista no ECA, aplicada de forma excepcional e provisória quando a permanência da criança no ambiente familiar representa risco à sua integridade física, psicológica ou ao pleno exercício de seus direitos, sendo acompanhado pelo Poder Judiciário e pela rede de proteção social.