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sexta-feira, 19 de junho de 2026
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Argentina conclui privatização de hidrovia bilionária e aposta em redução de custos logísticos

O governo da Argentina concluiu o processo de concessão da principal rota fluvial do país, a hidrovia Paraná-Paraguai, considerada estratégica para o comércio exterior argentino e para a integração logística do Mercosul. O anúncio foi feito na noite de quinta-feira, 18 de junho de 2026, pelo Ministério da Economia do país.

A licitação, avaliada em aproximadamente US$ 10 bilhões, teve como vencedora a empresa luxemburguesa Jan de Nul, em parceria com a companhia argentina Servimagnus. A formalização do resultado foi conduzida pela Agência Nacional de Portos e Navegação, que transferirá a gestão da infraestrutura para a iniciativa privada.

Segundo o governo do presidente Javier Milei, a medida tem como objetivo aumentar a eficiência operacional da hidrovia e reduzir em até 13,5% os custos logísticos do transporte de cargas. Desde 2021, a manutenção da via navegável era realizada pelo Estado argentino.

A hidrovia concentra cerca de 80% das exportações agrícolas da Argentina, sendo fundamental para o escoamento de grãos, cereais e oleaginosas produzidos principalmente na região de Rosário, um dos principais polos agroindustriais do país.

O contrato prevê uma série de melhorias estruturais, incluindo o aprofundamento do canal de navegação dos atuais 34 pés para até 40 pés, equivalente a aproximadamente 12 metros de profundidade. A expectativa é permitir que embarcações operem com maior capacidade de carga, reduzindo custos de transporte e ampliando a competitividade internacional dos produtos argentinos.

O governo informou que o processo foi encerrado sem impugnações formais das empresas participantes, validando os pareceres técnicos emitidos durante todas as etapas da concorrência pública.

Apesar disso, a licitação foi alvo de questionamentos ao longo do processo. Uma empresa brasileira apresentou representação ao Ministério Público argentino alegando possíveis irregularidades e indícios de direcionamento na disputa. O governo argentino rejeitou as acusações e considerou inadequada a proposta apresentada pela companhia, mantendo a concorrência entre os demais participantes.

Esta foi a segunda tentativa da gestão Milei de conceder a chamada Via Navegável Troncal. Uma licitação anterior acabou sendo anulada após denúncias de suposto favorecimento à própria Jan de Nul.

A assinatura definitiva do contrato deverá ocorrer em até 30 dias. Após a formalização da concessão, a operação passará a contar com novas tecnologias voltadas à segurança da navegação e ao combate ao narcotráfico, enquanto o Estado argentino permanecerá responsável apenas pela fiscalização e regulação da atividade.

O projeto recebeu apoio de entidades representativas do setor produtivo e exportador, incluindo a Câmara da Indústria Oleaginosa da República Argentina, o Centro Exportador de Cereais, a União Industrial Argentina, a Bolsa de Comércio de Rosário e associações ligadas aos setores portuário e marítimo.

Governos provinciais das regiões diretamente beneficiadas pela hidrovia também manifestaram apoio à concessão. De acordo com o Ministério da Economia, todo o processo foi acompanhado por organismos internacionais ligados às Nações Unidas, com monitoramento dos critérios de transparência e gestão da infraestrutura.

Com a concessão, a Argentina aposta na modernização de sua principal rota de exportação, buscando aumentar a capacidade logística do país e fortalecer sua posição no comércio internacional.