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quinta-feira, 18 de junho de 2026
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Lula defende regulação da IA e alerta para perda de empregos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quarta-feira (17) a criação de mecanismos de regulação para a inteligência artificial (IA), argumentando que os impactos da tecnologia sobre o mercado de trabalho, a disseminação de crimes digitais e a autonomia dos sistemas exigem respostas dos governos e não apenas da iniciativa privada.

As declarações foram feitas durante uma coletiva de imprensa após a participação do presidente em encontros internacionais na Europa, onde o tema da inteligência artificial esteve entre os assuntos debatidos por líderes mundiais e representantes do setor de tecnologia.

“A resposta é econômica e política. Quem tem que dar a resposta são os presidentes e os primeiros-ministros. Não é nenhum dono de banco nem o sistema financeiro”, afirmou o presidente.

Preocupação com empregos

Lula demonstrou preocupação com o avanço da automação e seus possíveis efeitos sobre o mercado de trabalho. Segundo ele, as empresas investem em novas tecnologias principalmente para aumentar a produtividade e reduzir custos, o que pode resultar na substituição de trabalhadores.

“Quando a empresa investe em automação, ela não pensa em gerar mais empregos, mas em aumentar sua rentabilidade e diminuir o número de trabalhadores”, declarou.

O presidente também afirmou que os governos precisam se preparar para lidar com um possível aumento do número de pessoas excluídas do mercado de trabalho em razão do avanço da inteligência artificial.

Combate aos crimes digitais

Outro ponto destacado pelo chefe do Executivo foi a necessidade de responsabilização por crimes cometidos no ambiente digital. Lula defendeu que práticas como a disseminação de desinformação e outras condutas ilícitas na internet recebam tratamento semelhante ao previsto na legislação penal para crimes praticados no mundo físico.

“Uma violência contra um jovem no mundo real dá cadeia. Uma mentira no mundo digital vai dar cadeia?”, questionou.

Autonomia da inteligência artificial

O presidente também manifestou preocupação com o avanço tecnológico e o grau de independência que os sistemas de inteligência artificial podem alcançar no futuro.

“Não somos nós que estamos dominando os algoritmos; eles é que estão nos dominando. É preciso pensar no que vai acontecer”, afirmou.

Segundo Lula, cenários que antes pareciam ficção científica estão cada vez mais próximos da realidade, o que torna indispensável o debate sobre limites, responsabilidades e mecanismos de controle da tecnologia.

Desafios de infraestrutura

Durante a coletiva, o presidente também mencionou os desafios relacionados à infraestrutura necessária para o desenvolvimento da inteligência artificial, especialmente a demanda crescente por energia elétrica e pela instalação de grandes centros de processamento de dados.

“São problemas que se apresentam e para os quais nós ainda não temos solução”, concluiu.