Rio Branco
29°C
quinta-feira, 11 de junho de 2026
12:11

Lula reage a novas tarifas dos EUA e cobra estudo sobre salários e direitos dos trabalhadores americanos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quarta-feira (10) que o Brasil não pretende aceitar as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. A declaração foi feita durante a abertura da 7ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, conhecido como Conselhão, realizada no Palácio do Itamaraty, em Brasília.

Ao comentar as medidas adotadas pelo governo norte-americano, Lula classificou a iniciativa como um desrespeito aos trabalhadores brasileiros e defendeu uma análise mais aprofundada das condições de trabalho nos Estados Unidos antes de qualquer julgamento sobre a realidade brasileira.

Lula pede levantamento sobre trabalhadores americanos

Durante o discurso, o presidente solicitou que seja elaborado um estudo detalhado sobre salários e direitos trabalhistas nos Estados Unidos.

“É preciso que vocês me apresentem um estudo urgente do quanto ganha um trabalhador americano, porque essa última imputação de taxa que eles colocaram para nós, nós não temos direito de aceitar, por dignidade e respeito pelo que nós fazemos aqui pelos trabalhadores brasileiros”, declarou.

Segundo Lula, o objetivo é compreender melhor a realidade dos trabalhadores norte-americanos antes de aceitar críticas direcionadas às políticas trabalhistas e produtivas adotadas pelo Brasil.

Críticas às acusações comerciais

O presidente também rebateu alegações feitas pelos Estados Unidos relacionadas a práticas comerciais consideradas desleais e à suposta utilização de trabalho forçado em cadeias produtivas que abastecem o mercado internacional.

Além das questões trabalhistas, Lula criticou apontamentos relacionados ao desmatamento e à preservação ambiental.

“Quero saber quais são os direitos que os trabalhadores americanos têm para ver um tal de diretor financeiro impor multa por conta do desmatamento. Será que eles não percebem que já estão carecas?”, afirmou.

Na avaliação do presidente, o Brasil tem sido alvo de cobranças consideradas excessivas, enquanto outros países também enfrentam desafios ambientais semelhantes.

Conselhão debate desenvolvimento e economia

As declarações ocorreram durante a abertura da sétima reunião do Conselhão, órgão criado no primeiro mandato de Lula e reativado pelo atual governo para ampliar o diálogo com representantes da sociedade civil, empresários, trabalhadores e especialistas.

O grupo tem como objetivo discutir políticas públicas, desenvolvimento econômico, sustentabilidade e estratégias para o crescimento do país.

A reunião reuniu integrantes de diversos setores da economia brasileira e serviu como espaço para debater temas relacionados à competitividade, geração de empregos e relações comerciais internacionais.

Tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos

As novas tarifas impostas pelos Estados Unidos elevaram a tensão nas relações comerciais entre os dois países. O governo brasileiro acompanha os impactos das medidas sobre produtos exportados para o mercado norte-americano e avalia possíveis estratégias para reduzir os efeitos sobre a economia nacional.

Ao encerrar sua fala, Lula reforçou que o país continuará defendendo os interesses dos trabalhadores brasileiros e que pretende aprofundar o debate sobre diferenças salariais, legislação trabalhista e políticas ambientais adotadas pelas duas nações.