A comunidade do Santo Daime e a região amazônica se despedem de uma de suas figuras mais emblemáticas. Faleceu na noite da última quarta-feira (29), aos 101 anos, Rita Gregório de Melo, conhecida como Madrinha Rita. Matriarca da doutrina daimista e viúva de Sebastião Mota de Melo, o Padrinho Sebastião, ela morreu na comunidade Céu do Mapiá, localizada no município de Pauini, no Amazonas, onde vivia na maior comunidade daimista do Brasil.
Reconhecida por sua liderança espiritual, simplicidade e dedicação à coletividade, Madrinha Rita deixa um legado marcado pela fé, resistência e construção comunitária ao longo de décadas.
O prefeito de Pauini, Renato Afonso, divulgou nota de pesar lamentando a morte da líder espiritual. Na mensagem, destacou a importância de Madrinha Rita para a história e o desenvolvimento social e cultural da região, ressaltando o respeito e o carinho conquistados ao longo da vida.
Trajetória marcada pela migração e espiritualidade
Nascida em 25 de junho de 1925, na região da Várzea do Açu, no Rio Grande do Norte, Rita Gregório era filha de Idalino Gregório e Maria Francisca das Chagas. Ainda jovem, viveu as dificuldades do sertão nordestino, ajudando a família em atividades ligadas à extração de carnaúba e ao cultivo agrícola.
Durante a década de 1940, em meio às severas secas que atingiram o Nordeste, sua família migrou para a Amazônia em busca de melhores condições de vida durante o ciclo da borracha. A viagem foi marcada por dificuldades, incluindo a perda de um irmão em Manaus, antes da chegada ao Alto Juruá.
Foi na região amazônica que Rita conheceu Sebastião Mota de Melo, com quem se casou no fim dos anos 1940. Juntos, construíram uma família e passaram a integrar o movimento espiritual ligado ao Santo Daime, acompanhando o fortalecimento da doutrina após a aproximação com Mestre Irineu.
Referência histórica do Céu do Mapiá
Ao longo das décadas, Madrinha Rita acompanhou todas as etapas de expansão da comunidade daimista e teve papel fundamental na consolidação do Céu do Mapiá, local que se tornou referência do Santo Daime no Brasil e no exterior.
Considerada uma liderança firme, acolhedora e respeitada por diferentes gerações, ela dedicou sua vida à espiritualidade, à família e à organização comunitária.
A morte de Madrinha Rita representa o encerramento de um capítulo importante da história do Santo Daime na Amazônia. Seu legado permanece presente na memória dos seguidores, nos ensinamentos deixados e na comunidade que ajudou a construir.


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