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domingo, 5 de julho de 2026
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Explosão do navio Sobomar I completa 54 anos e permanece na memória de Boca do Acre

Uma das maiores tragédias da história de Boca do Acre completa 54 anos nesta quarta-feira (2). A explosão do navio Sobomar I, ocorrida em 1972, deixou 23 mortos e diversos feridos, marcando profundamente a memória da população local.

O acidente aconteceu nas proximidades do porto da antiga CEAM, no bairro Fortaleza, enquanto a embarcação realizava a descarga de materiais — entre eles, uma grande quantidade de combustível. Segundo registros históricos reunidos pelo pesquisador Aguimar Noronha, o navio havia partido de Manaus e permanecia ancorado no município havia cerca de uma semana.

Na manhã do dia 2 de abril, por volta das 7h30, trabalhadores atuavam na retirada de um transformador quando uma faísca, seguida de fumaça, chamou atenção. Pouco depois, uma forte explosão deu início a um incêndio de grandes proporções, que rapidamente tomou conta da embarcação.

Entre os sobreviventes está Cosmo Antônio da Luz, conhecido como “Colim”. No momento do acidente, ele estava próximo ao guincho do navio e foi lançado ao rio com o impacto. Mesmo com chamas se espalhando pela superfície da água, conseguiu nadar até a margem e escapar com vida, sofrendo apenas ferimentos leves.

A tragédia mobilizou moradores de várias regiões da cidade, incluindo estudantes que presenciaram o ocorrido de salas de aula próximas. O cenário foi de destruição: destroços se espalharam pela área e relatos da época apontam que partes das vítimas ficaram presas em árvores às margens do Rio Acre.

Entre os mortos estavam trabalhadores de diferentes áreas, como carpinteiros, estivadores, agricultores e membros da tripulação. Ao todo, apenas quatro pessoas sobreviveram à explosão. As vítimas foram posteriormente identificadas por meio de registros oficiais do cartório local.

Equipes de resgate foram acionadas imediatamente, e os feridos receberam atendimento médico, com apoio inclusive da Força Aérea Brasileira.

Décadas depois, o episódio segue vivo na memória coletiva da população. A explosão do Sobomar I é lembrada não apenas pela dor que causou, mas também pela solidariedade e união demonstradas naquele momento. A tragédia permanece como parte essencial da história e identidade de Boca do Acre.