O número de jovens com nível superior em funções incompatíveis com a sua escolaridade subiu 6,1 pontos percentuais, chegando a 44,2% nos últimos quatro anos, é o que aponta uma análise sobre o mercado de trabalho no Brasil divulgado nesta quarta-feira, 12, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
De acordo com a análise, levando em consideração o total de trabalhadores que possuem curso superior, este índice é de 38%, o maior patamar desde o início da série A Nota Técnica, A evolução da população ocupada com nível superior no mercado de trabalho acompanha a seção Mercado de Trabalho, da equipe de Conjuntura do Ipea.
Para umas das responsáveis pelo estudo, as pessoas acabam aceitando trabalhos inferiores a qualificação profissional para não ficarem desempregadas. “Não é um fenômeno novo. Com a crise e a população mais escolarizada, as pessoas acabaram aceitando um emprego abaixo da sua qualificação com medo do desemprego”, explica uma das autoras do estudo e pesquisadora do Ipea, Maria Andreia Lameiras.
“De maneira análoga, a maior parte dos trabalhadores com nível superior que não exercem função compatível declarou estar na condição de empregado (nos setores privado e público). Em 2012, 49,9% e 30,3% desse grupo estava empregado nos setores privado e público, respectivamente”, aponta o documento.
Ainda segundo a análise, “Por fim, os dados mostram que esse aumento na proporção de trabalhadores com ensino superior que acabam migrando para ocupações com requisitos de escolaridade mais baixos vem gerando um efeito composição, contribuindo para que os salários recebidos pelos ocupados com ensino superior completo registram leve desaceleração, mostrando trajetória distinta da média observada de todos os rendimentos da economia”.
O estudo concluiu ainda, que “No caso dos mais jovens, o estudo revela que sua inserção nos segmentos de ocupação correspondentes com seu grau de instrução é ainda mais difícil. Se no fim de 2014 38% dos indivíduos de 24 a 35 anos, com ensino superior, possuíam empregos abaixo do seu nível de qualificação, no último trimestre este percentual já havia avançado para 44,2%”, conclui.


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