Um relatório divulgado pelo Congresso dos Estados Unidos aponta que a China mantém uma rede de instalações espaciais na América Latina com potencial uso estratégico e militar. O documento cita duas estruturas localizadas no Brasil que, segundo os parlamentares americanos, poderiam integrar esse sistema de monitoramento.
A investigação foi conduzida pela Comissão Seleta da Câmara dos Representantes sobre Competição Estratégica, grupo bipartidário formado por democratas e republicanos que acompanha a expansão da influência chinesa em regiões consideradas estratégicas para Washington.
Relatório alerta para rede de vigilância espacial
Intitulado “China em nosso quintal dos fundos”, o relatório afirma que Pequim utiliza parcerias científicas e tecnológicas para desenvolver uma rede de observação e comunicação com capacidade de coleta de dados estratégicos.
Segundo os congressistas, essas estruturas não seriam apenas iniciativas acadêmicas ou comerciais, mas parte de um sistema integrado capaz de monitorar satélites, coletar informações sensíveis e apoiar operações espaciais militares.
O documento afirma ainda que a rede permitiria uma espécie de vigilância global quase contínua, auxiliando sistemas de navegação, orientação de armamentos e operações contraespaciais.
Instalações citadas em território brasileiro
A comissão americana menciona dois pontos específicos no Brasil que, segundo o relatório, poderiam estar conectados à infraestrutura espacial chinesa.
O primeiro fica em Tucano, na Bahia. Trata-se de uma estação terrestre criada em 2020 por meio de parceria entre a startup brasileira Alya Nanossatélites e a empresa chinesa Beijing Tianlian Space Technology.
De acordo com o documento, a estrutura é capaz de fornecer dados de comunicação e rastreamento para satélites e missões espaciais tripuladas.
O segundo ponto citado é um laboratório de radioastronomia localizado na Serra do Urubu, na Paraíba. Embora o projeto faça parte de uma iniciativa científica multinacional, parlamentares americanos afirmam que sensores do local poderiam identificar sinais emitidos por equipamentos militares ou satélites estrangeiros.
Preocupação com soberania e segurança
O relatório destaca preocupação especial com a instalação na Bahia. Segundo os autores, a integração de dados dessas estruturas com sistemas chineses poderia permitir a identificação de ativos militares camuflados e o rastreamento de objetos no espaço em tempo real.
Outro ponto citado é a participação da Força Aérea Brasileira (FAB) no projeto. Para os parlamentares americanos, a cooperação poderia abrir espaço para influência chinesa no desenvolvimento da doutrina espacial militar brasileira.
Até o momento, autoridades brasileiras não se manifestaram oficialmente sobre as conclusões apresentadas no relatório do Congresso dos Estados Unidos.


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