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quinta-feira, 13 de agosto de 2026
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Análise critica ofensiva dos EUA contra o Irã e aponta ausência de estratégia clara

Uma análise publicada pela revista Rolling Stone avalia de forma crítica a ofensiva militar iniciada pelos Estados Unidos contra o Irã, afirmando que a escalada do conflito teria ocorrido sem uma estratégia clara para seu encerramento.

Segundo o texto, a nova fase da guerra começou quando forças dos Estados Unidos e de Israel lançaram ataques contra alvos iranianos, resultando na morte do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, então com 86 anos. A operação provocou comemorações entre setores favoráveis à guerra, comportamento comparado pelo artigo às críticas feitas pelo poeta e veterano da Primeira Guerra Mundial, Robert Graves, sobre o entusiasmo popular em tempos de conflito.

A rivalidade entre Washington e Teerã se estende por décadas e atravessou diversos governos americanos. Apesar desse histórico, a análise aponta que a decisão de transformar a disputa em uma guerra aberta ocorreu sem que o governo apresentasse um plano concreto para lidar com as consequências do confronto.

Inicialmente, a justificativa apresentada pelo governo do presidente Donald Trump foi a existência de uma ameaça iminente de ataques iranianos contra forças americanas posicionadas no Oriente Médio. No entanto, de acordo com o texto, essa explicação passou a ser questionada posteriormente durante reuniões e briefings realizados no Congresso.

Em pronunciamentos posteriores, o secretário de Defesa Pete Hegseth afirmou que a ação militar também estaria relacionada à expansão das capacidades militares do Irã, que buscaria proteger seu programa nuclear com novas estruturas de defesa convencional.

A análise ressalta ainda que autoridades americanas haviam afirmado anteriormente que bombardeios realizados em 2025 teriam neutralizado completamente instalações nucleares iranianas, o que levanta dúvidas sobre a consistência das justificativas apresentadas para o novo ataque.

Para especialistas citados no artigo, a estratégia de Estados Unidos e Israel parece apostar que bombardeios intensivos e a eliminação de lideranças possam enfraquecer o regime iraniano e forçar mudanças políticas no país.

Contudo, o texto observa que o sistema político iraniano não depende exclusivamente de uma única figura. Mesmo com a morte de Khamenei, a estrutura do governo continua sustentada por instituições poderosas, como o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e as milícias voluntárias conhecidas como Basij.

Após observar a invasão do Iraque pelos Estados Unidos em 2003, o IRGC desenvolveu a chamada “Doutrina do Mosaico”, estratégia que descentraliza o comando militar para garantir que o regime continue operando mesmo diante de ataques à liderança central.

Enquanto isso, a guerra já provoca impactos em diferentes regiões do Oriente Médio. Ataques com drones e mísseis atingiram bases militares e infraestruturas estratégicas em vários países.

Entre os locais afetados estão instalações militares no Kuwait, estruturas energéticas na Arábia Saudita, uma base aérea britânica em Chipre e áreas urbanas nos Emirados Árabes Unidos. Em alguns casos, alvos civis também foram atingidos.

O tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota responsável por cerca de 20% do petróleo transportado no mundo, também foi afetado, aumentando a preocupação de governos e mercados com possíveis impactos na economia global.

Além das consequências econômicas, o conflito já provoca um aumento no número de vítimas. No Irã, centenas de civis morreram durante bombardeios, incluindo vítimas em uma escola feminina atingida durante os ataques.

Em Israel, ofensivas iranianas também deixaram mortos e feridos. Países do Golfo e outras regiões do Oriente Médio registraram danos provocados por mísseis e drones.

Entre as forças militares, ao menos seis soldados americanos morreram e outros ficaram feridos desde o início dos confrontos. Autoridades israelenses estimam que mais de mil integrantes do IRGC tenham sido mortos.

Na avaliação apresentada pela análise, o conflito tende a se prolongar, ampliando o número de vítimas e aprofundando a instabilidade regional.

O texto conclui que a nova guerra pode representar um capítulo ainda mais violento de uma rivalidade histórica, iniciada décadas atrás, e questiona se a ofensiva militar atual possui realmente um caminho definido para produzir paz duradoura.