Uma atitude simples, mas decisiva, ajudou a revelar um esquema nacional de fraudes no Programa Farmácia Popular. Ao verificar o extrato de medicamentos vinculados ao seu CPF, uma brasileira identificou uma compra que jamais realizou. A denúncia deu início a uma investigação que culminou na descoberta de um rombo estimado em R$ 30 milhões aos cofres públicos.
Nesta terça-feira (10), a Polícia Federal, em conjunto com a Receita Federal e a Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrou a Operação OTC – Over The Counter, com o objetivo de desarticular a organização criminosa.
Como funcionava o golpe no Farmácia Popular
De acordo com as investigações, o grupo criminoso não criava farmácias fictícias. Em vez disso, comprava CNPJs de estabelecimentos já credenciados no Farmácia Popular.
Para ocultar os verdadeiros responsáveis, as empresas eram transferidas para “laranjas”. Com o controle do sistema, os suspeitos passaram a:
Na prática, o esquema simulava transações inexistentes para desviar recursos públicos destinados à assistência farmacêutica.
Alerta partiu de uma verificação individual
A investigação começou quando uma mulher identificou que seu CPF havia sido usado para a compra de um medicamento em uma farmácia localizada no Mato Grosso do Sul, sem que ela tivesse ido ao local.
O que inicialmente parecia um erro pontual revelou-se uma estrutura criminosa com atuação em vários estados do país.
Mandados cumpridos em quatro estados
A força-tarefa mobilizou 16 policiais federais, além de servidores da Receita Federal e da CGU. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão nas seguintes cidades:
A Receita Federal teve papel fundamental na identificação das movimentações fiscais suspeitas e no rastreamento do destino do dinheiro desviado.
O que é o Farmácia Popular
Criado em 2004, o Programa Farmácia Popular do Brasil é uma parceria entre o Governo Federal e farmácias privadas para garantir o acesso da população a medicamentos gratuitos ou com desconto.
Após o registro da venda no sistema, o governo realiza o reembolso diretamente ao estabelecimento — mecanismo que foi explorado pelo esquema criminoso.


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