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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Caso Orelha: o que já se sabe sobre a morte do cão comunitário que chocou o país

A morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis (SC), provocou forte comoção social, mobilizou protestos e ganhou repercussão nacional. O animal, que vivia há quase dez anos na região, morreu após ser violentamente agredido por um grupo de adolescentes, segundo investigações da Polícia Civil de Santa Catarina.

Orelha, também chamado de Preto por moradores, era cuidado por comerciantes, pescadores e frequentadores da praia. Após as agressões, ele foi encontrado com lesões graves em várias partes do corpo e, devido à gravidade do quadro, precisou ser submetido à eutanásia no dia 15 de janeiro.

Investigações e mandados

Na manhã desta segunda-feira (26), a Polícia Civil cumpriu três mandados de busca e apreensão em residências ligadas aos adolescentes investigados. De acordo com o delegado-geral Ulisses Gabriel, o grupo é apurado pelos crimes de maus-tratos a animais e coação. Até o momento, os adolescentes não foram apreendidos.

Segundo a polícia, dois dos suspeitos estão em viagem aos Estados Unidos, em um passeio à Disney, com retorno previsto para os próximos dias. A viagem, conforme informado, já estaria programada antes da repercussão do caso.

Suspeita de coação

Além dos maus-tratos, a investigação apura uma possível coação praticada por adultos, familiares dos adolescentes. Um deles teria utilizado uma arma de fogo para intimidar o porteiro de um condomínio, com o objetivo de impedir o repasse de informações às autoridades. A arma não foi localizada, mas três adultos seguem sendo investigados.

Outros episódios de violência

As investigações também apontam que outro cão comunitário, chamado Caramelo, teria sido vítima de agressões pelo mesmo grupo. O animal teria sido levado ao mar, mas conseguiu escapar. Posteriormente, foi adotado pelo próprio delegado-geral da Polícia Civil.

Protestos e repercussão

A morte de Orelha motivou manifestações na Praia Brava, reunindo moradores e defensores da causa animal. Os protestos cobraram justiça, responsabilização dos envolvidos e endurecimento da legislação contra crimes de maus-tratos.

O Ministério Público de Santa Catarina informou que os adolescentes deverão prestar depoimento nos próximos dias. Após a análise do material reunido, poderão ser definidas medidas socioeducativas.

Nova lei para proteção de animais comunitários

Em meio à repercussão do caso, o governador Jorginho Mello (PL) sancionou a Lei nº 19.726, que institui a Política Estadual de Proteção e Reconhecimento do Cão e Gato Comunitário em Santa Catarina. A norma proíbe a remoção ou restrição desses animais sem justificativa técnica e sem aviso aos cuidadores.

Hotel nega envolvimento

O Majestic Palace Hotel negou qualquer ligação com os investigados, após ser alvo de críticas nas redes sociais. O estabelecimento afirmou que as associações feitas decorrem apenas de coincidência de sobrenomes e reforçou que mantém uma política pet friendly há mais de 15 anos.