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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Mortes recentes acendem alerta sobre riscos do fisiculturismo extremo

Uma sequência de mortes envolvendo fisiculturistas renomados no início de 2026 tem provocado apreensão no meio esportivo e reacendido debates sobre os limites físicos, o uso de substâncias e a pressão estética associada ao fisiculturismo competitivo.

Casos registrados no Brasil, na Itália e nos Estados Unidos têm em comum a sobrecarga extrema imposta ao organismo, ainda que as causas das mortes sejam distintas.

O episódio mais recente envolve o italiano Andrea Lorini, de 48 anos, encontrado morto em casa, na cidade de Chiari. Conhecido como “O Gigante”, o atleta sofreu uma parada cardíaca. Destaque do fisiculturismo italiano antes da pandemia, Lorini conquistou o terceiro lugar no campeonato nacional em 2017 e 2019. A família optou por não autorizar a realização de autópsia.

No Brasil, duas mortes em um intervalo inferior a dez dias também causaram comoção no meio fitness. Kevin Notário Nunes, de 28 anos, morreu no dia 5 de janeiro após uma infecção bacteriana necrosante. Já Arlindo de Souza, conhecido como o “Popeye brasileiro”, faleceu no dia 14, aos 55 anos, vítima de insuficiência renal aguda, após anos de uso de injeções de óleo mineral para fins estéticos.

Embora os casos tenham origens diferentes, especialistas apontam que o fisiculturismo competitivo impõe um estresse fisiológico elevado, sobretudo ao coração, aos rins e ao fígado. A busca por ganhos rápidos de massa muscular e definição extrema pode envolver práticas que colocam a saúde em risco.

Entidades médicas reforçam esse alerta. O Conselho Federal de Medicina já se posicionou publicamente contra o uso de esteroides anabolizantes e hormônios para fins estéticos ou de performance, destacando os riscos cardiovasculares, hepáticos e renais associados.

Pesquisas conduzidas por universidades brasileiras indicam que a transformação corporal acelerada, comum no fisiculturismo competitivo, pode provocar danos graves ao organismo, mesmo em atletas com aparência forte e alto nível de condicionamento físico. O consenso é que estética muscular não é sinônimo de saúde.

Outro caso que voltou a repercutir recentemente foi o da fisiculturista norte-americana Hayley McNeff, que morreu aos 37 anos, em agosto do ano passado. A causa da morte, divulgada apenas neste mês, foi classificada como acidental, após a constatação de uma overdose pela combinação de múltiplas substâncias. O laudo descartou sinais de violência.

Hayley se destacou no fisiculturismo americano nos anos 2000, conquistou o título do East Coast Classic em 2009 e participou do documentário Raising The Bar, lançado em 2016. Após se afastar das competições, passou a se dedicar a outras modalidades esportivas.

Para profissionais da saúde, a sequência de mortes não deve ser tratada como coincidência isolada, mas também não justifica a demonização do esporte. O ponto central está na necessidade de acompanhamento médico rigoroso, acesso à informação de qualidade e definição de limites claros.

Enquanto homenagens se multiplicam nas redes sociais, os episódios recentes expõem um debate incômodo, porém necessário: até que ponto a busca pelo corpo perfeito pode custar a própria vida.