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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Trump evita detalhar planos sobre a Groenlândia e eleva tensão com Europa ao ameaçar uso de força

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotou um tom de mistério ao ser questionado sobre a possibilidade de recorrer ao uso da força para assumir o controle da Groenlândia. Em entrevista concedida à NBC News, o líder norte-americano limitou-se a responder “sem comentários” quando indagado sobre uma eventual ação militar para anexar o território.

A declaração ocorre em meio a uma escalada de pressão econômica e diplomática contra países europeus. Trump anunciou a intenção de impor tarifas de 10% sobre produtos de oito nações da Europa a partir de fevereiro, com a possibilidade de elevação para 25% em junho caso não haja avanços nas negociações envolvendo a ilha.

As medidas atingem diretamente Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia. O governo norte-americano tem utilizado a política tarifária como instrumento de pressão para avançar no interesse estratégico pela Groenlândia, região considerada crucial do ponto de vista geopolítico e militar.

Além da taxação, Trump já teria autorizado o envio de tropas para a Groenlândia, aprofundando o desconforto entre aliados europeus e ampliando o clima de tensão diplomática. A movimentação reforça o discurso do presidente de que os Estados Unidos precisam agir diante do que classifica como falhas de segurança na região.

O ambiente diplomático se agravou ainda mais após Trump enviar uma carta ao primeiro-ministro da Noruega, Jonas Gahr Støre, criticando a decisão do país de não conceder a ele o Prêmio Nobel da Paz. No documento, o presidente afirmou não se sentir mais obrigado a priorizar exclusivamente a agenda da paz.

Em publicações na rede social Truth Social, Trump também acusou a Dinamarca de não conter adequadamente a influência da Rússia na Groenlândia. Segundo ele, alertas da Otan sobre a região se arrastam há mais de duas décadas, o que justificaria uma postura mais firme dos Estados Unidos.

A proposta de incorporação da ilha foi rejeitada tanto pelo governo dinamarquês quanto pela administração autônoma da Groenlândia. No último fim de semana, moradores realizaram protestos com bandeiras e cartazes afirmando que o território “não está à venda” e defendendo a manutenção da autonomia política.

Relatos de habitantes locais apontam temor de uma nova forma de colonização por potências estrangeiras. A população demonstra preferência pelo modelo escandinavo de bem-estar social, que garante saúde, educação e políticas públicas universais.

Apesar da resistência, autoridades da Groenlândia participaram recentemente de reuniões em Washington com o secretário de Estado, Marco Rubio, e o vice-presidente, JD Vance. Os encontros ocorreram sob forte pressão das declarações de Trump sobre o futuro da região, indicando que o impasse diplomático ainda está longe de um desfecho.