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quarta-feira, 3 de junho de 2026
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Com 350 tratores, agricultores franceses paralisam Paris em protesto contra acordo Mercosul–União Europeia

Cerca de 350 tratores tomaram as avenidas de Paris nesta terça-feira (13) em um protesto de grandes proporções contra o acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul. A mobilização foi liderada por agricultores franceses, que denunciam baixos salários e temem prejuízos severos com a abertura do mercado europeu a produtos sul-americanos.

Escoltados pela polícia, os comboios cruzaram pontos emblemáticos da capital, como a Champs-Élysées, e atravessaram o Rio Sena em direção à Assembleia Nacional. O ato provocou congestionamentos durante o horário de pico e teve como objetivo pressionar parlamentares e o governo francês.

Os sindicatos rurais afirmam que o acordo ameaça a segurança alimentar da França e pode comprometer a sobrevivência de pequenos e médios produtores. Em resposta às manifestações, a porta-voz do governo, Maud Bregeon, declarou que o Executivo estuda anunciar novos pacotes de auxílio financeiro para o setor agrícola.

Resistência francesa no cenário europeu

Apesar da oposição pública do presidente Emmanuel Macron ao tratado, a França encontra-se relativamente isolada no bloco europeu. Na última sexta-feira (9), a maioria dos 27 países da União Europeia aprovou provisoriamente o texto do acordo. Apenas França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria votaram contra.

A expectativa é de que o documento seja oficialmente assinado no Paraguai nos próximos dias. No Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou a decisão, classificando o avanço como um marco histórico para o multilateralismo, após mais de duas décadas de negociações.

O que prevê o acordo Mercosul–União Europeia

O tratado de livre-comércio prevê a redução gradual de tarifas alfandegárias entre os blocos. O Mercosul deverá zerar impostos sobre 91% dos bens europeus em até 15 anos, enquanto a União Europeia fará o mesmo para 95% dos produtos sul-americanos em um prazo de até 12 anos.

Para proteger setores sensíveis, como carne, açúcar e etanol, o acordo estabelece cotas de importação. Caso os limites sejam ultrapassados, as tarifas voltam a ser aplicadas. O texto também mantém rígidas exigências sanitárias e ambientais, incluindo o cumprimento do Acordo de Paris.

Especialistas avaliam que os impactos do tratado não serão imediatos, mas reconhecem que o acordo pode abrir novas oportunidades comerciais, ao mesmo tempo em que intensifica o debate sobre a proteção da produção agrícola europeia.

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