Trabalhadores da limpeza urbana enfrentam sol extremo, riscos à saúde, baixos salários e ausência de condições adequadas para exercer uma função essencial
Os garis de Boca do Acre desempenham um dos trabalhos mais importantes para a saúde pública e o bem-estar coletivo, mas seguem atuando em condições que levantam sérios questionamentos sobre precarização trabalhista, negligência do poder público e falta de consciência da própria população. Além de lidarem diariamente com riscos extremos, esses profissionais acabam se tornando vítimas tanto da ausência de políticas adequadas da Prefeitura quanto do comportamento inadequado de parte dos moradores da cidade.
Segundo informações recebidas pelo Jornal Opinião, os trabalhadores da limpeza urbana estariam exercendo suas funções sem acesso pleno a direitos básicos garantidos por lei à categoria, além de não receberem o suporte necessário para enfrentar os perigos inerentes à atividade.
Diariamente, os garis percorrem ruas e bairros de Boca do Acre sob sol intenso e, muitas vezes, sob chuva, recolhendo todo tipo de resíduo descartado pela população. O contato direto com lixo doméstico, restos orgânicos, materiais perfurocortantes e resíduos potencialmente tóxicos aumenta de forma significativa os riscos à saúde. A situação se agrava diante da falta de cuidado de muitos moradores, que descartam lixo de forma irregular, sem qualquer preocupação com quem irá recolhê-lo.
Falta de equipamentos de proteção
Fotos e vídeos flagrantes mostram que diversos trabalhadores realizam a coleta sem equipamentos de proteção individual (EPIs) adequados, como luvas resistentes, botas impermeáveis, máscaras, protetor solar e uniformes apropriados. A ausência desses itens básicos expõe os garis a cortes, infecções, doenças de pele e outros problemas de saúde que poderiam ser evitados com investimentos mínimos por parte da Prefeitura.
“Eles lidam com tudo o que a cidade descarta, inclusive objetos perigosos jogados de forma irresponsável pela população, e sem a proteção mínima necessária. É um trabalho pesado, perigoso e invisibilizado”, comentou um morador que acompanha de perto a rotina dos trabalhadores.
Jornada extensa, salário baixo e pouco reconhecimento
Além da exposição física, os garis enfrentam longas jornadas de trabalho, que começam nas primeiras horas da manhã e seguem até o fim da tarde, independentemente das condições climáticas. Segundo informações obtidas pelo jornal, a remuneração é considerada baixa diante do esforço físico, do grau de insalubridade e da relevância do serviço prestado.
Questionamentos sobre vínculo trabalhista
Outra questão que tem causado preocupação é a forma de contratação. Relatos indicam que os garis estariam sendo pagos pela Prefeitura como prestadores de serviço, e não como trabalhadores com vínculo empregatício formal. Se confirmada, essa prática pode resultar na ausência de direitos como férias, 13º salário, FGTS, adicional de insalubridade e licença médica.



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