O caso da jovem Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, que morreu após cair do 10º andar de um prédio na zona sul de São Paulo, deixou de ser tratado como suicídio e passou a ser investigado como feminicídio. A mudança de rumo ocorreu após o avanço das investigações e a análise de imagens de câmeras de segurança.
O episódio aconteceu no dia 29 de novembro. Inicialmente, o marido da vítima afirmou à polícia que Maria Katiane teria tirado a própria vida após uma discussão do casal. Segundo o relato, eles haviam retornado de uma festa e discutido porque ele queria passar a noite com o filho, de outro relacionamento, antes de uma viagem.
Em depoimento, o homem disse que a jovem teria ido várias vezes ao carro buscar objetos e que, já no apartamento, se trancou no banheiro. Ele afirmou ainda que ouviu um grito seguido de um barulho e, ao descer, encontrou a esposa caída no térreo do prédio.
No entanto, novas evidências alteraram o entendimento do caso. Imagens de câmeras internas do condomínio, apreendidas pela polícia, mostram o marido agredindo Maria Katiane no estacionamento pouco antes da queda. Diante do material, ele foi preso na terça-feira (9) como principal suspeito do crime.
As investigações agora são conduzidas pelo 89º Distrito Policial, com apoio do Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP). O suspeito deverá passar por novas oitivas, enquanto laudos do Instituto Médico Legal (IML) e análises periciais das imagens seguem sendo incorporados ao inquérito.
Quem era Maria Katiane Gomes da Silva
Natural de Crateús, no interior do Ceará, Maria Katiane havia se mudado para São Paulo em busca de melhores oportunidades. Ela deixa uma filha, que permanece vivendo na cidade natal.
Nas redes sociais, a jovem compartilhava momentos do cotidiano, viagens, vídeos sobre cuidados com o cabelo, maquiagem e rotina de treinos. Amigos e familiares a descrevem como uma pessoa alegre, vaidosa e muito ligada à família.
A morte de Maria Katiane causou forte comoção em Crateús. Uma tia da jovem publicou um desabafo nas redes sociais pedindo justiça e afirmando que a sobrinha teve a voz “calada por um homem que dizia amá-la”.
Relatos de vizinhos
Moradores do condomínio acionaram a Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) após ouvirem um grito e o barulho da queda. Alguns relataram ter visto a jovem emocionalmente alterada, mas disseram não ter presenciado agressões naquele momento.
Uma testemunha afirmou que, logo após a queda, viu o marido no térreo tentando reanimar a vítima.
O caso segue sob investigação e a polícia trabalha para esclarecer as circunstâncias da morte e confirmar a responsabilidade criminal do suspeito.


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