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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Luz de telas à noite é associada a maior risco cardíaco, aponta pesquisa

Mexer no celular antes de dormir pode trazer impactos mais sérios do que apenas noites mal dormidas. Uma nova pesquisa apresentada nas Sessões Científicas de 2025 da American Heart Association (AHA), em Nova Orleans, sugere que a exposição à luz artificial noturna — como a emitida por celulares, televisores, tablets e iluminação urbana — pode aumentar o risco de doenças cardíacas.

O estudo investigou como a chamada “poluição luminosa noturna” interfere no cérebro e no sistema cardiovascular. Segundo os pesquisadores, a luz artificial ativa áreas cerebrais associadas ao estresse e estimula respostas inflamatórias nas artérias, elevando a probabilidade de problemas como infarto e AVC.

Como o estudo foi conduzido

A pesquisa analisou 466 adultos, com idade mediana de 55 anos e sem histórico prévio de doenças cardíacas ou câncer. Todos realizaram exames de PET/CT entre 2005 e 2008, o que permitiu avaliar simultaneamente a atividade cerebral relacionada ao estresse e sinais de inflamação nos vasos sanguíneos.

A intensidade de luz artificial à qual cada participante era exposto foi estimada por imagens de satélite do Atlas Mundial de Brilho Artificial do Céu Noturno. Os voluntários foram acompanhados por até dez anos.

Principais resultados

Os dados mostraram uma relação direta entre maior exposição à luz artificial e aumento do risco cardiovascular. Entre as alterações identificadas em pessoas mais expostas estavam:

  • maior ativação cerebral ligada ao estresse;
  • inflamação aumentada nas artérias;
  • risco elevado de eventos cardíacos graves.

O risco de doenças cardíacas cresceu até 35% ao longo de cinco anos e 22% em dez anos. Mesmo após considerar fatores como pressão alta, colesterol, tabagismo e diabetes, a luz noturna continuou sendo um elemento independente de risco.

Durante o período analisado, 17% dos participantes tiveram algum evento cardíaco grave.

O que acontece no organismo

De acordo com os autores, a luz artificial noturna desregula o relógio biológico e ativa o sistema nervoso simpático. Como consequência, o organismo libera substâncias que provocam inflamação nos vasos sanguíneos, o que pode levar ao endurecimento das artérias e aumentar as chances de infarto e AVC.

Limitações e próximos passos

Os pesquisadores ressaltam que o estudo é observacional, ou seja, aponta associação, mas não confirma relação de causa e efeito. Os dados também foram obtidos em um único centro médico, o que limita a abrangência dos resultados. O trabalho ainda aguarda publicação em revista científica com revisão por pares.

Como reduzir a exposição à luz artificial

Embora a causalidade não esteja comprovada, os especialistas recomendam algumas medidas preventivas:

  • Diminuir a intensidade das luzes internas à noite;
  • Evitar celulares e telas antes de dormir;
  • Manter o quarto o mais escuro possível durante o sono;
  • Em áreas urbanas, preferir iluminação externa com sensores de presença.