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segunda-feira, 6 de julho de 2026
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Cientistas portugueses testam técnica que rejuvenesce células do coração

Pesquisadores das universidades do Porto e de Coimbra identificaram um mecanismo capaz de reverter sinais de envelhecimento celular no coração, abrindo uma nova perspectiva para o tratamento da insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada (HFpEF), uma das formas mais desafiadoras da doença.

A HFpEF ocorre quando o ventrículo esquerdo perde elasticidade e não consegue relaxar adequadamente, impedindo o enchimento correto do coração. Segundo o Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), é um quadro mais frequente em idosos e que vem crescendo em todo o mundo.

Envelhecimento celular como alvo

O estudo, publicado na revista Cardiovascular Research, utilizou um modelo animal que reproduz os sinais da doença. Os investigadores observaram uma grande presença de células envelhecidas — conhecidas como senescentes — distribuídas pelo sistema imune, pelas paredes dos vasos sanguíneos e pelo músculo cardíaco.

Essas células, embora já não se dividam, permanecem ativas e liberam moléculas inflamatórias que aceleram o desgaste dos tecidos. Para contornar esse processo, os cientistas recorreram a um medicamento senolítico, capaz de remover seletivamente essas células danificadas.

Após o tratamento, o modelo apresentou melhora significativa em vários parâmetros da insuficiência cardíaca, incluindo rigidez cardíaca, inflamação e capacidade funcional.

Avanço na medicina de rejuvenescimento

Diana Nascimento, do i3S e do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, avalia que a intervenção teve impacto direto tanto na saúde cardiovascular quanto no equilíbrio sistêmico do organismo.

Lino Ferreira, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, afirma que o trabalho reforça o potencial da medicina de rejuvenescimento como estratégia terapêutica para doenças complexas.

Os pesquisadores também analisaram amostras de sangue de pacientes com HFpEF e identificaram níveis mais elevados de leucócitos envelhecidos, associados a quadros mais graves. O achado sugere que terapias senolíticas podem ter aplicação futura em humanos.

Mudança de paradigma

Para Elsa Silva, primeira autora da pesquisa, o estudo representa uma mudança de paradigma ao focar diretamente nos mecanismos de envelhecimento que desencadeiam a disfunção cardíaca, e não apenas no alívio dos sintomas.

A investigação integra o Centro de Inovação de Biomedicina e Biotecnologia (CIBB) e contou com a colaboração do Centro de Neurociências e Biologia Celular da Universidade de Coimbra.

O desafio da HFpEF

A HFpEF é hoje um dos maiores desafios da cardiologia. Os pacientes costumam apresentar falta de ar intensa, fadiga e limitação para atividades rotineiras. A taxa de mortalidade é comparável à de alguns tipos de câncer, e a prevalência tende a aumentar com o envelhecimento populacional.

Os investigadores agora pretendem aprofundar a compreensão sobre o motivo de o coração envelhecer de forma acelerada nesses casos e desenvolver terapias mais direcionadas, que possam ser avaliadas em futuros ensaios clínicos.