Ministro afirma que “não combater o crime é o verdadeiro desastre” e diz que operações como a do Alemão são necessárias para enfrentar facções armadas
O ministro Tarcísio de Freitas reagiu com firmeza às críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Operação Contenção, deflagrada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Lula havia classificado a ação como “matança”, em razão do alto número de mortos, o que reacendeu o debate sobre o uso da força pelas polícias em áreas dominadas por facções.
Para Tarcísio, o foco do debate não deve estar apenas nas mortes, mas no esforço de combater o crime organizado que, segundo ele, impõe medo e violência diários à população. “Desastre é não combater o crime”, afirmou o ministro, defendendo a necessidade de ações firmes e coordenadas entre os governos estadual e federal.
Segurança e tensão política
A operação, que envolveu centenas de agentes, blindados e aeronaves, tinha como objetivo desarticular quadrilhas ligadas ao tráfico de drogas e à circulação de armas de grosso calibre. O saldo, porém, incluiu mortes de suspeitos e policiais, o que provocou reações de entidades de direitos humanos e da própria Presidência da República.
As declarações de Lula geraram desconforto entre governadores e secretários de segurança pública, que defendem o caráter técnico das ações e argumentam que a omissão estatal favorece o fortalecimento do crime. Tarcísio, que já foi ministro da Infraestrutura e é hoje um dos principais aliados da ala mais conservadora do país, tem se posicionado como defensor de operações ostensivas, desde que conduzidas dentro da legalidade.
O debate sobre o uso da força
O embate entre as duas visões — uma que defende o endurecimento contra o crime e outra que prioriza o controle da letalidade policial — reflete uma disputa mais ampla sobre a política de segurança pública no país.
Especialistas destacam que a eficácia de operações desse tipo depende de planejamento, inteligência e integração das forças, para que o enfrentamento direto seja exceção, e não regra.
Tarcísio reforçou que a sociedade precisa compreender a dimensão do problema enfrentado no Rio e em outros estados. Para ele, as facções armadas se estruturaram como verdadeiros exércitos paralelos e exigem resposta à altura. “Não se pode criminalizar o instrumento; é preciso avaliar o objetivo e o contexto”, disse o ministro, em defesa das forças envolvidas.
Próximos passos e investigações
O governo federal, por sua vez, tem buscado reforçar mecanismos de fiscalização e transparência nas operações. A ideia é criar protocolos mais rígidos de atuação e ampliar o acompanhamento de casos com mortes decorrentes de intervenção policial.
Enquanto o Palácio do Planalto cobra apuração sobre os resultados e possíveis abusos, Tarcísio mantém o discurso de que o Estado não pode recuar. “Combater o crime é proteger o cidadão de bem. O verdadeiro fracasso seria permitir que o medo continuasse a governar nossas cidades”, afirmou.
Com informações do NDMais



?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>
?>