Rio Branco
24°C
sexta-feira, 26 de junho de 2026
17:24

Juros elevados mantêm Brasil em segundo lugar entre países com maior juro real

Mesmo com sinais de desaceleração da inflação, o Brasil permanece entre os países com as **taxas de juros reais mais altas do mundo**. A manutenção de uma Selic elevada tem efeitos diretos sobre o custo do crédito para famílias e empresas e sobre a capacidade de financiar projetos de longo prazo.

Analistas apontam que a posição do país no ranking internacional de juros reais decorre de uma combinação de fatores: **risco-país elevado**, fragilidade das contas públicas e estrutura fiscal que limita a margem de manobra do banco central. O resultado é um custo de financiamento que encarece empréstimos e reduz o poder de compra da população.

Setores sensíveis ao custo do crédito, como construção civil, varejo e indústria, sentem rapidamente os efeitos. Em muitos casos, **investimentos ficam adiados** e compras financiadas tornam-se menos acessíveis, pressionando o ritmo de recuperação econômica.

Para especialistas em política monetária, manter os juros altos é uma ferramenta para garantir o controle inflacionário. No entanto, essa estratégia tem um custo em termos de crescimento econômico. Reduzir a taxa sem comprometer as expectativas de inflação e a confiança dos investidores exige avanços fiscais e reformas estruturais.

Entre as medidas apontadas como necessárias estão reformas que aumentem a previsibilidade fiscal, ações para reduzir o spread bancário e estímulos à concorrência no sistema financeiro. A ampliação do acesso a fintechs e a modernização do mercado de crédito também aparecem como caminhos para aliviar o custo do financiamento.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central continuará sendo o principal catalisador das expectativas do mercado. Decisões sobre a trajetória da Selic nos próximos meses vão balizar decisões de consumo e investimento e influenciar a retomada do crescimento.

Enquanto isso, o desafio imediato do país é conciliar estabilidade de preços com políticas que estimulem o crédito produtivo e a atividade econômica, sem abrir mão da credibilidade monetária construída nos últimos anos.