Produto fino, cultivado de forma natural, volta a ganhar espaço no mercado europeu, através da Cooperar, pela qualidade e padrão de produção
O cacau nativo das margens do rio Purus, fruto do trabalho de comunidades tradicionais espalhadas ao longo de mil quilômetros — que abrange 3 municípios do Amazonas Boca do Acre, Pauini e Lábrea,— acaba de reconquistar um dos mercados mais exigentes do mundo: a Alemanha. O envio do produto marca uma nova fase para a Cooperativa Agroextrativista do Médio Purus e Mapiá (Cooperar), que há 23 anos atua em Boca do Acre e hoje celebra o reconhecimento internacional de um alimento considerado fino, natural e de altíssima qualidade, que já esteve no paladar australiano, japonês, entre outros países.
Em 2025, depois de três anos, a Cooperar reiniciou o enviou o cacau beneficiado em Boca do Acre para a Alemanha. Desta vez foram 3 toneladas do produto que serão enviadas para fora do país, e mais duas toneladas que irão abastecer o mercado nacional.
Segundo o presidente da Cooperar, José Camilo, a diferenciação do cacau da região está no modo como ele é concebido: sem enxertos, sem aditivos e fruto exclusivo da natureza amazônica. “É um produto genuíno, de uma riqueza única, que agora volta a ser valorizado fora do país. O mercado alemão esteve fechado por um tempo, mas conseguimos reabrir esse diálogo e isso é motivo de esperança para nossas comunidades”, afirmou.
A produção do cacau envolve diversas comunidades, que contam com estruturas capacitadas para fazer uma produção de qualidade. Esse cuidado garante que o produto chegue à Europa dentro das exigências dos clientes. De acordo com Maria Carolina, diretora de Marketing da cooperativa, já houve períodos em que mais de 40 toneladas foram exportadas para a Europa. Ela destaca que o cacau do Purus é hoje “admirado, querido e desejado pelos europeus”, justamente por manter o padrão fino que a alta confeitaria internacional procura.
Carolina explica ainda que o desafio atual é consolidar a marca da Cooperar no exterior e, para a surpresa, fazer a Cooperar ser conhecida e reconhecida no mercado de Boca do Acre, que após quase duas décadas e meia, começa a conhecer os produtos feitos pela cooperativa.
Isso mesmo. A Cooperar não só envia o cacau nativo, como também já está fabricando produtos de altíssima qualidade e pureza, como a manteiga de cacau, o nibis, a massa de cacau, e o vinagre. O cacau, como bem disse o diretor-presidente, é o carro-chefe. “Trabalhamos também com tucumã, extraindo óleo, fabricando pasta, farinha, óleo de gergelim, castanha desidratada, óleo de castanha, e o mais novo, que é a farinha da banana verde, que é riquíssima em nutrientes e excelente para praticantes de esporte.
Com a retomada das exportações para a Alemanha, a Cooperar vislumbra um futuro promissor. José Camilo reforçou o desejo de que a produção alcance ainda mais mercados, fortalecendo a economia local e garantindo renda para centenas de famílias que vivem do extrativismo sustentável na calha do Purus.

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