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domingo, 5 de julho de 2026
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Giban, o homem já chamado de “serial killer do Amazonas”, pode enfrentar mais duas condenações por feminicídio

Natan de Melo Furtado, o “Giban”, enfrentou apenas o primeiro julgamento (e foi condenado) de uma série de três crimes com requintes de crueldade, cometidos em Boca do Acre e em Manaus.

Em julgamento realizado na última quarta-feira (17/09), o Tribunal do Júri da Comarca de Boca do Acre condenou Natan de Melo Furtado, conhecido como “Giban”, a 27 anos e 1 mês de prisão em regime fechado. O réu foi responsabilizado pelo assassinato de Ana Lúcia Barbosa da Silva, de 45 anos, morta em 27 de junho de 2021. O crime foi enquadrado como feminicídio, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Amazonas (MPAM), Natan mantinha um relacionamento extraconjugal com a vítima e não aceitava o fim da relação. No dia do crime, atacou Ana Lúcia com um facão, golpeando-a no pescoço. Para tentar apagar os vestígios, ateou fogo à residência, deixando o corpo dentro, parcialmente destruído pelas chamas.

O Conselho de Sentença acolheu integralmente a acusação apresentada pelo promotor Marcos Patrick Sena Leite, que destacou a frieza e a crueldade do réu. “A decisão representa não apenas a responsabilização do acusado, mas também uma resposta firme da Justiça contra a violência às mulheres”, afirmou.

*Perfil do condenado*
Natan, de 33 anos, não é réu apenas neste processo. Ele ficou conhecido nacionalmente quando, em 2023, foi preso pela Polícia Civil do Amazonas e apontado como responsável por três feminicídios no estado, sempre contra mulheres acima de 40 anos, com perfis semelhantes, em crimes marcados por extrema brutalidade.

As investigações revelaram que ele mantinha relações afetivas com duas das vítimas e as matou com golpes de arma branca, queimando seus corpos em seguida. Já a terceira vítima foi assassinada com 73 facadas, sem que houvesse vínculo amoroso entre os dois.

A polícia descreveu o modo de agir de Natan como típico de um serial killer, dado o padrão das mortes, o alvo específico (mulheres mais velhas e solteiras) e os requintes de crueldade.

*As três vítimas atribuídas a Natan*
* Esmeralda Rocha da Cruz, 51 anos – assassinada em 27 de setembro de 2016, em Boca do Acre.
* Ana Lúcia Barbosa da Silva, 45 anos – morta em 27 de junho de 2021, em Boca do Acre (caso pelo qual já foi condenado).
* Leonor Maria Nascimento da Silva, 57 anos – morta em 22 de junho de 2022, em Manaus, com 73 perfurações de faca.

Segundo a delegada Marília Campello, coordenadora do Núcleo de Combate ao Feminicídio da DEHS, a motivação dos crimes foi clara: “ódio brutal às mulheres”.

*Novos julgamentos à vista*
Apesar da condenação em Boca do Acre, este pode ser apenas o primeiro desfecho judicial no histórico criminal de Natan. Ele ainda deverá enfrentar novo júri popular em Boca do Acre, pelo assassinato de Esmeralda Rocha, além do processo que responde em Manaus, pela morte de Leonor Maria.

A expectativa é que, a cada julgamento, seja reforçada a responsabilização por uma trajetória marcada por violência extrema e ataques direcionados a mulheres, crimes que chocaram o Amazonas e consolidaram a fama de “serial killer” atribuída a Natan de Melo Furtado.