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segunda-feira, 27 de julho de 2026
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Defesa de Bolsonaro não descarta recurso a cortes internacionais e pedido de prisão domiciliar

Diante da iminência de ver seu cliente condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento por tentativa de golpe de Estado, Paulo Bueno, um dos advogados do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse, nesta quinta-feira (11), que as “violações do processo” podem servir de base para uma ação junto a cortes internacionais, que avaliam possíveis casos contra direitos humanos nos países membros.

O defensor também sinalizou o possível pedido de que Bolsonaro cumpra a pena em prisão domiciliar por conta do “estado debilitado” de saúde.

Bueno chegou ao quinto dia do julgamento repercutindo o voto do ministro Luiz Fux da quarta-feira, que julgou Bolsonaro inocente das acusações.

“A expectativa para hoje é que os próximos votos sejam pautados, a exemplo do voto do ministro Fux, por argumentos técnicos e estritamente jurídicos, que não haja contaminação política ou influência de vertentes ideológicas”, comentou.

No entanto, deixou o local sem dar declarações quando a ministra Cármen Lúcia ainda lia seu voto, mas já havia anunciado a condenação de Bolsonaro. Mais cedo, ele admitiu que a equipe de defesa trabalha com as hipóteses de recursos.

“A gente já vê algumas omissões nos votos que foram proferidos pelo relator e pelo ministro Dino, por exemplo, não enfrentaram o argumento de que a acusação de organização criminosa armada não é armada, não existia arma apreendida ou emprego de arma de fogo, nada disso”, citou.

Segundo Bueno, haverá uma discussão sobre a possibilidade de se apresentar embargos infringentes sobre o processo.

“Isso ainda é um pouco nebuloso, porque esses embargos são feitos no plenário quando há quatro votos entre 11 ministros julgando, mas nas turmas temos cinco, então não daria metade é uma discussão que virá inevitavelmente a seu tempo”.

Advogado defende que julgamento de Bolsonaro não é competência do STF
Paulo Bueno também destacou o argumento de que a Primeira Turma do STF seria “incompetente” para julgar o caso, pensamento acolhido pelo ministro Fux.

“A Constituição Federal é clara: o presidente da República é julgado no plenário do Supremo Tribunal Federal, logo, se entende que seria o mesmo para um ex-mandatário, isso daria mais musculatura a este julgamento, teríamos mais magistrados opinando em um caso tão polêmico e não teríamos aqui essa mácula processual”, afirmou.

Com essa narrativa, o defensor apontou o argumento que pode ser utilizado em recursos a instâncias internacionais.

“Quando você é julgado por um juiz incompetente, ainda com cerceamento de defesa, significa que está sendo julgado num juizado de exceção e isso em cortes internacionais é interpretado como violação de direitos humanos”, evidenciou.

Questionado se a defesa acionaria essas instâncias, Bueno não descartou: “Com certeza essas violações pavimentam fortemente esse tipo de abordagem com as cortes internacionais”.

O advogado insistiu, como tem feito em todas as falas públicas, que Jair Bolsonaro tem “condição de saúde frágil” e por isso não teria acompanhado o julgamento pessoalmente.

Ao ser perguntado sobre um possível pedido de prisão domiciliar após a condenação, Paulo Bueno desconversou: “Eu não vou antecipar nada disso, mas, evidentemente, o presidente Bolsonaro tem uma situação de saúde muito delicada”.

No próximo domingo, o ex-presidente sairá de casa com autorização do Supremo para passar por um procedimento médico em Brasília, onde segue em prisão domiciliar, escoltado pela Polícia Penal. Após o procedimento na pele, Bolsonaro deve receber alta em até 48 horas.

Fonte: NDMais