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quarta-feira, 24 de junho de 2026
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Precificação de ativos de capital

Precificação de ativos de capital

O Modelo de Precificação de Ativos de Capital (CAPM) serve para medir o retorno de um ativo quando comparado à carteira de ativos do mercado. Ross diz “que o retorno esperado de um título está linearmente relacionado a seu beta”. Para Assaf Neto “O CAPM estabelece uma relação linear entre o retorno de um ativo e o retorno de mercado”. Já Damodaran “Supõe que não existem custos de negociação, que todos os ativos são negociados, e que os investidores são infinitamente divisíveis (…) que todos têm acesso às mesmas informações e que os investidores, portanto, não podem encontrar ativos subvalorizados ou supervalorizados no mercado”.

A partir da teoria da carteira de Markowitz (1952) o cálculo das covariâncias entre os ativos que aumentam na medida em que aumentam os ativos de uma carteira de investimento foi parametrizado com a criação da carteira do mercado, vindo a reduzir o custo ao proporcionar o cálculo do retorno das covariâncias entre o ativo escolhido e o da carteira do mercado. Sua relação é linear entre risco e retorno, pois se entende que os investidores podem diversificar suas carteiras para diminuir o risco e aumentar o retorno, restando apenas o risco sistemático que afeta todos os ativos do mercado num maior ou menor grau de intensidade.

Cada investidor será responsável por escolher quanto irá investir em sua carteira sem risco e na carteira do mercado com risco. Para Damodaran (2004) essa decisão ocorre por existir um ativo livre de risco e com retorno conhecido, possibilitando aos investidores emprestarem ou tomarem emprestados para esse investimento com risco zero. O risco então medido é feito pelo β (beta) calculado pelo risco de retorno do ativo escolhido linearmente ao risco de retorno da carteira do mercado, demonstrando a sensibilidade da oscilação do ativo escolhido com o do mercado.

Assim, a fórmula utilizada para encontrar o retorno do ativo possui o retorno esperado de um ativo ou título, a taxa livre de risco, o beta do ativo ou título, o retorno esperado do mercado e a taxa livre de risco. Estando presentes todas as informações, pode-se calcular o retorno esperado pelo ativo ou título. Damodaran compreende o mesmo: “Para usar o modelo de precificação de ativos de capital, precisamos três insumos. (…), porquanto discutimos cada um destes insumos como segue: 1. Ativo sem risco é aquele em que o investidor conhece por antecipação o retorno esperado durante o período de tempo em questão. 2. O prêmio de risco é o prêmio demandado por investidores para investir na carteira de investimentos de marcado, que inclui todos os ativos de risco no mercado, em vez de investir em um ativo sem risco. 3. O beta, que definimos como a covariância do ativo dividido pela carteira de investimentos de mercado, mensura o risco agregado por um investimento carteira de investimentos de mercado. Em resumo, no modelo de precificação de ativos de capital, todo risco de mercado é fornecido por um beta e medido em relação a uma carteira de investimentos de mercado, que pelo menos teoricamente deve incluir todos os ativos negociados no mercado adquiridos na proporção de seu valor de mercado.” Deve existir pelo menos duas variáveis para precificarmos os ativos a fim de balizar a decisão de investir. O retorno de uma carteira será, com isso, nada menos que uma média ponderada dos retornos dos ativos que compõem a carteira.

Já as variâncias não são medidas apenas pelo correlato em cada ativo, mas com as covariâncias de pares dos ativos existentes na carteira. Portanto, o retorno esperado não será livre de risco pela existência de ativo nesse campo, mas pela junção de ambos os ativos (livre e com risco), possibilitando adequar ganho e perda numa carteira para que seu saldo seja positivo.

A quantidade de ativos ou sua ampliação na composição da carteira não irá de forma alguma alterar o cálculo do retorno esperado, pois esse continuará sendo a média do retorno dos ativos que fazem parte da carteira na proporção de sua participação. Para tanto, deve-se ter sempre no horizonte de investimento o beta do ativo comparado com o beta da carteira do mercado, podendo o investidor quantificar sua exposição na oscilação de seu ativo com a carteira do mercado.

O beta do mercado é sempre 1. Se o beta do ativo for menor que 1, sua exposição é menor à variação da carteira do mercado, consequência disso é que seu ganho ou sua perda será menor e no mesmo sentido que caminhar a carteira do mercado. Já tendo seu ativo beta maior que 1, sua exposição é maior que a carteira do mercado e seu ganho ou perda será maior e no mesmo sentido que caminhar a carteira do mercado. “Visto que a covariância da carteira de investimentos de mercado consigo mesma é sua variância, o beta da carteira de investimentos de mercado, e por extensão, o ativo médio por ela representado, é 1. Ativos com maior risco do que a média (usando essa medida de risco) terão betas que excedem 1; ativos mais seguros do que a média terão betas mais baixos que 1. O ativo sem risco terá um beta de 0.” (Damodaran).

Cabe ao investidor decidir qual tipo de ativo irá colocar em sua carteira de investimento, sapiente de que deverá dosar os ativos com Beta < 1, = 1 ou > 1, mensurando dessa forma sua exposição às oscilações do mercado e balanceando e compensando mutuamente ganhos e perdas. Todavia, ao longo do tempo, ficou provado que o retorno da carteira do mercado é superior ao retorno do ativo livre de risco, o que demonstra não ser o ativo livre de risco o de maior retorno. Cabe ao investidor mesclar a composição de sua carteira com ativo do mercado precificado a fim de receber retorno médio comparado com a carteira do mercado.


Marco Antonio Mourão de Oliveira, 42, advogado, especialista em Direito Tributário pela Universidade de Uberaba-MG e Finanças pela Fundação Dom Cabral-MG.