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quinta-feira, 30 de julho de 2026
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Este suposto cometa já vagava pelo espaço antes mesmo de o Sol existir, afirmam especialistas

Um objeto interestelar surpreendente, descoberto nos últimos dias e batizado de 3I/ATLAS, pode ser o cometa mais antigo já registrado, com origem anterior ao próprio Sistema Solar em mais de 3 bilhões de anos.

O anúncio foi feito por uma equipe de pesquisadores. Este é apenas o terceiro objeto conhecido vindo de fora do Sistema Solar a passar próximo da Terra. Mas o que torna o 3I/ATLAS ainda mais especial é que ele vem de uma região completamente diferente da nossa galáxia.

Segundo o astrônomo Matthew Hopkins, da Universidade de Oxford, o cometa pode ter mais de 7 bilhões de anos e ser a descoberta interestelar mais importante já feita até agora.

Cometa é de uma região desconhecida da galáxia

Diferente dos dois objetos anteriores — ‘Oumuamua (2017) e 2I/Borisov (2019) — que vieram de outras áreas do cosmos, o 3I/ATLAS parece seguir uma trajetória inclinada pela galáxia, sugerindo que surgiu no chamado “disco espesso” da Via Láctea, uma região onde orbitam estrelas muito antigas, fora do plano galáctico em que está o Sol.

“Todos os cometas comuns, como o Halley, se formaram junto com o Sistema Solar e têm, no máximo, 4,5 bilhões de anos”, explicou Hopkins. Segundo ele, objetos interestelares podem ser muito mais antigos. E até agora, o 3I/ATLAS é o mais velho já identificado.

O cometa foi avistado pela primeira vez em 1º de julho de 2025, pelo Telescópio de Pesquisa ATLAS, instalado no Chile. Na época, ele estava a cerca de 670 milhões de quilômetros do Sol.

O que o objeto interestelar pode nos revelar?

A pesquisa de Hopkins sugere que, por ter se formado ao redor de uma estrela antiga do disco espesso, o 3I/ATLAS deve conter muita água congelada.

Conforme se aproxima do Sol, a luz solar deve aquecer sua superfície e provocar a clássica atividade cometária: liberação de gases e poeira que formam a cabeleira brilhante e a cauda visível do cometa.

As primeiras observações indicam que o 3I/ATLAS já está ativo e pode ser maior que seus antecessores interestelares. Se os dados forem confirmados, o cometa pode ajudar os cientistas a entender como cometas antigos ajudam na formação de estrelas e planetas em toda a galáxia.

Descoberta inesperada e promissora

A descoberta do cometa foi quase um acaso. A equipe se preparava para o início das operações do Observatório Vera C. Rubin, que fará um levantamento inédito do céu por 10 anos, chamado de Levantamento do Legado Espaço-Temporal.

“A descoberta do 3I/ATLAS nos deixa ainda mais otimistas com o Rubin. Podemos encontrar até 50 objetos semelhantes, alguns com tamanho comparável ao do 3I”, afirmou a pesquisadora Rosemary Dorsey, da Universidade de Helsinque.

O cometa 3I/ATLAS deverá ser visível com telescópios amadores de médio porte entre o final de 2025 e o começo de 2026.

Fonte: NDMais