Vias principais de barro em situação crítica, lixo acumulado e presença constante de urubus expõem o descaso do poder público com dezenas de famílias que enfrentam a rotina de viver entre a sujeira e a falta de infraestrutura

Quem circula pelas ruas do bairro Maria Leopoldina não precisa andar muito para entender o sentimento de revolta que toma conta dos moradores. Longe de ser um problema pontual, as dificuldades enfrentadas pelas famílias da comunidade revelam uma dura realidade: abandono, lama e lixo tomam conta das principais vias do bairro, que sequer são asfaltadas.
Essa realidade não é de hoje. São pelo menos duas décadas, desde que o bairro foi fundado, fruto de um loteamento, que iniciou sem o mínimo de estrutura de saneamento, iluminação coleta de lixo, água, entre outros serviços essenciais.
Nos dias de sol, a poeira se levanta, invadindo casas e agravando problemas respiratórios. Já nos períodos chuvosos, como foi o caso da chuva que ocorreu na tarde de ontem, domingo (25), moradores relatam que é praticamente impossível sair de casa sem se sujar completamente.
“A gente não está falando de rua de beco não, é da principal do bairro, por onde passam motos, carros, ônibus escolares. E é só barro, buraco e lixo”, reclama a moradora que vive há mais de dez anos no bairro.
Outro agravante é a grande quantidade de lixo acumulado que não são recolhidos regularmente. Essa situação atrai animais, incluindo urubus, que disputam os restos com cães e gatos abandonados. As cenas são dignas de um cenário de calamidade.
Além disso, a falta de serviços públicos básicos, como iluminação adequada, varrição de ruas e manutenção da rede de esgoto — que em muitos trechos é inexistente — contribui para o agravamento da situação. Em alguns pontos, os próprios moradores tentam improvisar soluções, como buracos tapados com entulho e lixo queimado na beira da rua para evitar acúmulo.
A ausência de políticas públicas efetivas para o bairro é um tema recorrente nas reclamações. Moradores afirmam que já fizeram diversas denúncias e pedidos na prefeitura, mas as respostas são sempre promessas que não saem do papel. A indignação é coletiva e cresce a cada dia diante da falta de perspectivas.
Em época de campanha, todos os candidatos visitam o bairro, mas depois que o pleito passa, a ausência dos políticos é presença constante.


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